quarta-feira, 1 de maio de 2013

Sofia e Joana



Sofia era uma garota simples, de gostos simples. Morava no 1º andar de um pequeno prédio de 2 andares. Estudava o dia todo, e passava a noite em casa. Quando era mais nova sempre gostava de passar as tardes ensolaradas na casa da “tia” Joana, a senhora que morava no apartamento de cima, o tempo foi passando e ela deixou de ir lá, mas não deixou de ter apreço pela simpática senhora.
Apesar de gostar muito, a velha era um pouco assustadora, principalmente a noite, fazia muitos barulhos de passos no quarto de cima do de Sofia, e também o barulho daquela cama de molas que deveria ser mais velha que a senhora, seu barulho causava arrepios na pequena garota, mas ela sempre se lembrava da simpática velhinha que estava lá e tudo passava.
Durante alguns dias do último mês Sofia notara que a casa de Joana estava mais silenciosa, mas nada muito relevante para ninguém. Os dias foram passando e as pessoas foram esquecendo... Em frente ao apartamento de Sofia existe uma fábrica, dela sai um cheiro muito ruim quase todos os dias, mas recentemente esse cheiro tem ficado cada vez pior, até que um dia alguém foi examinar.
Determinaram que o cheiro não viera da fábrica e sim do prédio, do apartamento de Joana, a coitada já estava morta havia mais de 20 dias e ninguém notara. Médicos disseram que ela simplesmente morreu dormindo, não sofreu dor alguma, sequer deve ter descoberto ainda que já morreu, eles brincavam.  Sofia foi ao funeral de sua velha amiga, lembrou-se das tardes, dos biscoitos, das anedotas e lições de vida, chorou muito, foi um dia triste.
A noite, Sofia já exausta, foi dormir e logo que deitou apagou, acordara no meio da noite ouvindo barulhos estranhos. Ouvia passos e se lembrara da senhora que viveu lá por muito tempo, que não tinha filhos ou parentes, “morreu dormindo, talvez nem saiba que esteja morta”. A velha cama de molas fez o conhecido barulho que lhe causava arrepios, e Sofia se lembrou de sua velha amiga que agora estava enterrada.

terça-feira, 23 de abril de 2013

O sonho de Jeremy


Jeremy mal conseguia abrir seus olhos, e quando o fazia não conseguia identificar se estavam ou não abertos, já que o quarto estava totalmente escuro. Os zumbidos em sua cabeça eram insuportáveis, era como se seus próprios pensamentos saíssem de sua cabeça como um tiro vindo de dentro de seu cérebro. Sentia um grande desconforto nos braços e nas pernas, tentou mover-se, mas foi em vão, pois percebera que estavam atados. Aos poucos os zumbidos foram se silenciando e abrindo espaço em sua mente para se perguntar o que estaria acontecendo. Não sabia onde estava, porque ou quem o havia amarrado, seus olhos doíam, seu corpo também, sentia seus pulsos queimando a medida que tentava se livrar da corda e suas pernas estavam totalmente dormentes, sinal de que estava nesta posição há várias horas.

Com muito esforço conseguira se livrar das cordas em seus pulsos, desamarrar suas pernas foi fácil, mas Jeremy ainda não sabia onde estava e imaginava perplexo o que poderia ter acontecido e causado a amnesia, já que não se lembrava de absolutamente nada. Aos poucos seus olhos foram se acostumando com a escuridão e podia identificar algumas silhuetas e sombras, deduziu que estava em um quarto e, enquanto tateava, viu uma pequena fresta de luz, era a porta, sua saída deste lugar. Jeremy caminhava com dificuldade, já que suas pernas ainda estavam dormentes, estava descalço e já podia sentir um pouco do frio do chão, depois de algum tempo chegou até a porta, tocando na maçaneta enquanto torcia para que não estivesse trancada.

A sorte de Jeremy começara a mudar quando viu que a porta se abriu, ou pelo menos foi o que ele pensou. Ao abrir a porta deparou-se com um corredor estreito, onde mal podia enxergar as paredes. Ouvia o barulho de água escorrendo e ocasionalmente ruídos e gritos distantes. Ao andar Jeremy percebeu que havia algo no chão além da água fria que gelava seus pés, um pequeno incômodo logo se tornou uma dor atenuante, quase insuportável, como se o chão estivesse coberto de cacos de vidro e a água, numa temperatura bem próxima de zero tornava sua dor ainda mais angustiante. Jeremy tentava andar, mais a água gelada adormecera seus pés e enquanto tentava ouvia vozes... Seja lá quem o havia pegado estava voltando e rápido. Em um impulso de sobrevivência, Jeremy tentou correr, mas suas pernas estavam cansadas e doloridas, mal conseguia sair do lugar e quanto mais tentava pior ficava, tentava desesperadamente se agarrar em algo nas paredes, mas não encontrava nada além de lodo e água gelada, unhava as paredes desesperadamente até suas unhas se quebrarem e seus dedos se ferirem, seus pés não conseguiam mais se mover, havia perdido o controle enquanto ouvia seus captores cada vez mais perto. De súbito, Jeremy pisa em algo que com muita dificuldade consegue diferir dos cacos em seus pés, ele sente uma leve corrente na água, mas antes de tentar qualquer coisa cai no chão e é arrastado pelo deslize do solo. A cada segundo que passa Jeremy sente pontas de pedras dilacerando seu corpo, tenta se segurar nas paredes em vão, pois a pedra é lisa e polida impossível de se agarrar, imaginando que em breve cairia em algum lugar, Jeremy tenta se agarrar ou diminuir a velocidade da descida, até que de repente para sentindo um forte repuxo em sua mão.  Para sua sorte, encontrara um gancho, para seu azar, este estava atravessando sua mão direita. O silêncio durou apenas alguns segundos e foi substituído por um grito abafado, ao mesmo tempo em que Jeremy percebera que não havia mais chão, abaixo de seus pés existia uma queda livre para a escuridão e antes mesmo de pensar no que fazer o gancho em sua mão que estava preso em algum lugar cedeu com seu peso jogando-o para o abismo negro.

Jeremy despertou em sua cama, eram quatro horas da manhã, estava suado, ofegante, nunca em toda sua vida tivera um sonho tão intenso e real assim e seu corpo estava todo dolorido, em um estado febril. Não conseguindo fazer ou pensar em mais nada, sentou-se na cama, e ao esfregar seu rosto com as mãos para acordar, percebera que havia uma estranha ferida que atravessava sua mão direita...

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Tempo ao Tempo


O tempo que tudo sara
A dor e também a ferida
Tempo que não para
Para a realidade partida

O tempo que tudo resolve
As angústias e problemas
O tempo que dissolve
A vida e seus dilemas

Um tempo para o tempo
Que não para de envelhecer

Dê tempo ao tempo, dizem
O tempo que tudo enaltece
Dê seu tempo mesmo que lhe pisem
Enquanto você apenas envelhece...

domingo, 31 de março de 2013

Insônia



Eu queria ver as coisas de outra maneira
Quando abrisse os olhos continuar a voar
Ter em minhas mãos a resposta derradeira
Além de palavras que servem para atordoar

Eu queria fechar os olhos e apenas dormir
Sonhar dormindo ao invés de acordado
Queria abrir minhas mãos e me permitir
O sonho é apenas algo para ser recordado

Queria correr, fugir de todos os padrões
Acreditar no que ninguém no mundo acredita
Poder sentir no peito o calor de mil corações
E seguir em frente, nada me implica

Eu queria a paz que inexiste na razão
Fechar os olhos, dormir para recordar
Sem me preocupar se existe algum chão
Apenas queria dormir e não mais acordar

domingo, 3 de março de 2013

O Acaso e a Espera


Meu acaso são passos solitários
Nas sombras da silenciosa noite
São meios tiques partidários
Não se prevê e não sabe a fonte

A espera é uma arma apontada
São meros devaneios redundantes
Quer esteja ou não carregada
É inevitável o disparo em instantes

E a vida se muda em cada passo
E cada passo é uma nova vida
De cada vida a algo que faço
Laço a lembrança outrora tida

Logo passam-se os anos e as vidas
Guardadas em uma pequena esfera
Sofrimentos e alegrias contidas
Vai-se meu acaso e minha espera...

sábado, 23 de fevereiro de 2013

chemistry


Não sei se você ainda me lê, mas caso leia tenha certeza que estas palavras são para você.




O nosso tempo nunca para
A vida é uma eterna mudança
É uma ferida que nunca sara?
Ou fruto da bem-aventurança?

Por vezes ainda espero o chamado
Seria essa ligação é tão forte assim?
Ou seria fruto de um tolo enganado
Que não consegue mudar-se de mim?

E as noites tornaram-se anos passados
Lembranças de cigarros inebriados
Quem me dera ser menos desinteressado
Poder fazer mais antes de ter acabado

Por vezes seu fantasma me assombra
Muitas vezes espero por ser assombrado
No mundo de lembranças vejo sua sombra
Desejando apenas que eu fosse lembrado

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Displicente


Era noite e ela me chamava
Tenra voz sussurrando no ouvido
E em seus lábios suplicava
Atacado com o olhar interrompido

Não mais

Meus sentimentos profanados
Minhas verdades foram perdias
E mesmo o ódio está n’outro lado
Sem mais desculpas vadias

O anjo sem asas caiu ao chão
Rezando, suplicando, ainda amando
Debaixo de seus pés jaz a paixão
Jaz meu leito no mar derramado

E os sentimentos agora se foram
Se foram?
Dilacerados nas lâminas gélidas
Suas párias palavras trépidas

E o que há de fazer enquanto me mato?
O amor prevalecerá na relva
O que me resta não é mais que mero boato
E em silêncio apenas observa

Não, nada mais resta, não mais!
Não mais?

Ouça atentamente minha displicência
A escuridão que me abomina
Onde estará tamanha indiferença?
Depois que a vida a elimina

Não mais

sábado, 19 de janeiro de 2013

Sammael


Na madrugada ele me chamava
Seus olhos em minha mente
Enquanto o acaso me tentava
Sempre cedia por mais que eu tente

Seu semblante em minha cara
-Fraco, fraco, fraco! Ele gritara
Seu nome cada vez mais alto
Despertando-me como um arauto

-Corre, pois se corres irei te pegar.
Não há refúgios para um tolo errante
Mesmo que tente a terra mais distante
-No final meu nome irás gritar!

Era madrugada sanguinolenta
E eu via mil almas sonolentas
Dentre elas, jazia a minha
Desesperançosa e violenta

E meus gritos ecoavam infundados
Louco, gritando até ficar sem voz
-Por que deixar seus sonhos afundados?
Em seus olhos via um olhar atroz

-Chame, clame por meu nome!
-És meu e também és teu
-Somos uno como a morte e a fome
-Toma o nome, pois ele é seu.

Preso na garganta o coração disparado
O nome n’alma há muito entalhado
Veneno, no lábio doce como o mel
-Sammael

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Um sonho diferente


Hoje quero compartilhar um evento no mínimo inusitado que me aconteceu noite passada.
Era madrugada e eu tive um sonho estranho, olhei pela janela do meu quarto e vi nuvens diferentes, saiam luzes roxas delas, era até bonito de se ver. Depois eu despertei, tinha alguém em minha casa, me levantei da cama, mas meu corpo não me obedecia totalmente, quando tentava andar minhas pernas falhavam, eu caía, mas era como se estivesse sem gravidade, demorava a chegar até o chão e não me machucava.
Tinha certeza que havia alguém em minha casa, fui atrás da porta do meu quarto e peguei meu taco de baseball, como não conseguia andar direito fui me apoiando nele. O primeiro lugar que fui foi no quarto ao lado do meu, tentei acender a luz, mas ela havia queimado, depois fui até a cozinha, quem quer que estivesse na minha casa estava lá. Chegando lá me lembro que mexi no filtro e depois percebi uma luz forte e vermelha, foi me deixando ainda mais fraco, tentei lutar, tentei gritar mas foi tudo em vão, voltei para a cama, pelo menos eu acho que o fiz. Algumas horas depois, ainda de madrugada eu despertei novamente, meu corpo agora me respondia, fui até a cozinha e vi o filtro fora do lugar, fui ao quarto e luz não acendia, depois fui no banheiro e pela janela de lá eu vi no prédio em frente um vulto, era grande e tinha forma parecida com uma pessoa, mas não conseguia identificar o que era, deixei para ver se era algum objeto quando amanhecesse.
Pela manhã sentia uma dor muscular no braço, mas não sei muita atenção, fui até o banheiro e não tinha absolutamente nada no lugar do vulto. Depois me lembrei do taco de baseball, quando o peguei eu percebi de onde veio a dor muscular, vi que nele tinha sujeira como se tivesse sido arrastado pela casa, e perto de onde segurava vi pequenas marcas de queimado, nesse momento eu tive certeza absoluta de que realmente o tinha pegado na noite anterior.

Isso não é um conto, realmente aconteceu noite passada. Não quero através disso fazer com que ninguém acredite ou deixe de acreditar em nada, apenas quis compartilhar isso com quem quer que esteja disposto a ler. Não tem como ser a experiência normalmente conhecida como paralisia de sono. Conheço bem os sintomas e o que um rebaixamento do nível da consciência (no caso o sono) pode causar em uma pessoa, e sim isso é provável que seja um tipo de alucinação, também pode ser um caso isolado de sonambulismo, mas nunca tive isso na vida, mas é plausível. Somente não encontrei explicação ainda para as marcas de queimado no taco.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A noite mais longa


A tempestade passou agora
Junto também foi a escuridão
Mas o medo ainda está de fora
E ainda aperta o coração

Coração que bate apertado
Com medo de outra tempestade
No novo horizonte que é formado
Mas já chove nas ruas da cidade

A chuva renova, traz esperança
Lava o sangue, alivia as dores
E o coração bate no ritmo da dança
Pulsa a vida, buscando novos sabores

A noite chegou ao fim à escuridão passou
Posso ver o primeiro raio do alvorecer
E juntando os cacos do que me sobrou
Vejo um novo dia nascer

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Aos Pequenos Momentos


Sinto falta dos pequenos momentos
Saídas, conversas, lanches ocasionais
Por mais que seja banal, não me contento
Pequenas ocasiões se tornam especiais

Pequenas sutilezas às vezes escondidas
E a saudade vem às pressas disparada
São ações que não passam despercebidas
E com o tempo a saudade no porto enseada

Eu sei que ate parece uma bobagem
Vinhos e saudades parecem tempos remotos
Lágrimas, chuvas e beijos selvagens

Passo horas e dias com raciocínio lento
O que dizer quando estou displicente?
Apenas sinto falta dos pequenos momentos 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012


It’s hard to see every day pictures of you.
It’s hard to see that I’m not with you on them.
I try to take my own strength from this,
I try to take strength for the passion.
I try to not think on what can be happening
Just try…
It’s hard to now that every day could someone
Or even you
Tell me that I won’t have you anymore
I try to steel myself, I try to get strong for your
I’m just missing you, every day, every time
I dream with you, I wake up thinking on you
And when I sleep its thinking of you
I don’t know how for how much long I can do this
I just want you
And if you see this please tell me, just tell me
What can I do?
I just wanna close my eyes and wake up from this nightmare
I just want to hear you voice again telling me that you’re mine and I’m your
I miss you
I just want you
I love you

sábado, 8 de dezembro de 2012

Lembrança de Morrer


Quando em meu peito rebentar-se a fibra, 
Que o espírito enlaça à dor vivente, 
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura 
A flor do vale que adormece ao vento: 
Não quero que uma nota de alegria 
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio 
Do deserto, o poento caminheiro 
- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh'alma errante, 
Onde o fogo insensato a consumia: 
Só levo uma saudade - é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade - é dessas sombras 
Que eu sentia velar nas noites minhas ... 
De ti, ó minha mãe! pobre coitada 
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos, 
Poucos - bem poucos - e que não zombavam 
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda, 
Se um suspiro nos seios treme ainda, 
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora 
Do pálido poeta destes flores... 
Se viveu, foi por ti! e de esperança 
De na vida gozar dos teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua, 
Verei cristalizar-se o sonho amigo ... 
Ó minha virgem dos errantes sonhos, 
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário 
Na floresta dos homens esquecida, 
À sombra de uma cruz, e escrevam nela: 
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d'aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos.
Deixai a lua pratear-me a lousa! 



Manuel Antônio Álvares de Azevedo

domingo, 18 de novembro de 2012

Redescobrindo


Redescobrindo a essência de meu ser
É levantar a cabeça, seguir em frente
Caminhando, mesmo sem nada ter
Mas algum dia hei que se contente

O aperto no peito, o semblante caído
Palavras e palavras, nada além
Mas existem sonhos não partidos

A luz de velas, o doce sabor do vinho
E cada lembrança em sua fresta
Permanece em seu canto ainda sozinho
Adormece o sonho das lembranças despertas

domingo, 28 de outubro de 2012

Zona de Conforto


O silêncio é minha zona de conforto...
Um sábio conselho que nada agrada
Pode ser uma vida não aproveitada.
É o mesmo por ter sido natimorto.

A vida a passar em meus pensamentos.
O silêncio é minha zona de aborto,
Tudo que preciso é um olhar torto
Não são palavras nem sentimentos.

Poderia sair, fugir e até voar...
Bastaria abrir a boca e falar.

E qual seria a voz de um morto?
A agonia da lugar as palavras ao falar,
Da voz, o som do silêncio a se calar.
Não, o silêncio é minha zona de conforto...

segunda-feira, 15 de outubro de 2012


-Tenho sempre o mesmo sonho quase todas as noites, não sei explicar, mas parece tão real que às vezes não consigo distinguir quando estou dormindo ou acordado. – Dizia o homem sentado no divã, na mesma posição que sempre o fazia todas as semanas.
-Você sempre fala destes sonhos, pois me diga o que é desta vez. São as luzes? É o carro? – Respondeu o psiquiatra.
-Sim, são luzes, mas você sabe doutor, não é o carro, é o outro sonho, sempre vem da mesma forma. Eu acordo de madrugada em minha cama, tudo está exatamente como deixei na noite anterior, escuto barulhos no outro canto da casa e com medo de que seja um ladrão vou verificar. No caminho acendo todas as luzes que passo, quando chego na sala, sempre na sala eu vejo este vulto, ele sempre corre para o próximo cômodo da casa e eu vou perseguindo até o último quarto e quando acendo a última luz vem um clarão e tudo se apaga, então desperto em minha cama novamente.
-Você sempre relata este sonho, Carlos, você persegue este vulto no qual não consegue distinguir a forma até o quarto que era de vocês antes do acidente não é?
-Exatamente, não sei dizer quem ou o que é esse vulto, mas é sempre a mesma coisa.
-Já faz muito tempo desde o acidente e você ainda se culpa por não ter conseguido controlar o carro, mesmo sabendo que não foi sua culpa. Você sabe disto, Carlos, já lhe disse muitas vezes que sonhos são desejos inconscientes. Sua esposa foi jogada para fora do carro e você se coloca em uma condição de querer pegá-la, mas nunca consegue, este vulto que sempre vê é ela e justamente quando o cerca no quarto que era de vocês é que acontece a parte que você mais se culpa, você não consegue pegá-la, não importa o quanto corra. Este seu sonho tem sido um grande obstáculo em nosso trabalho terapêutico.
-Mas não é um sonho, é real. Quando sonhamos sempre tem algo diferente, mas é tudo tão vívido, não pode ser um sonho, será que estou ficando louco?
-Você não está ficando louco, Carlos, esta é a forma que você busca aceitar os fatos inconscientemente do acidente, você precisa aceitar isto, não há mais nada a se fazer. Tome, vou lhe receitar alguns calmantes que vão fazer seu sono mais pesado, talvez ajude com os pesadelos.
No mesmo dia antes de voltar para casa Carlos comprara os remédios receitados, tomou na hora indicada e em pouco tempo já estava sonolento até adormecer. Carlos despertou em seu carro, na noite chuvosa em que o acidente ocorrera. Via a rodovia vazia de madrugada, a chuva caindo no chão, sua esposa ao seu lado, mas nada podia fazer, suas ações limitavam-se a olhar. Foi quando viu a forte luz do caminhão que aparecera do nada, estranho não ter reparado já que estavam em um ponto reto da rodovia e, como nada podia fazer, Carlos focou sua atenção nas luzes. Neste momento tudo começou a ficar mais devagar, não havia mais nenhum som, era como se estivesse dormindo em um quarto bem fechado, mas a luz chamava sua atenção cada vez mais forte e mais próxima, até que Carlos finalmente viu o que não havia visto seis meses atrás, a luz não vinha frente ao carro, estava em cima, este exato momento veio o clarão e depois tudo escureceu.
Carlos despertou assustado e olhou para a porta de seu quarto e lá estava o vulto, tinha certeza agora que não sonhava. Levantou-se rapidamente, acendeu a luz e pegou seu telefone. Pensou em discar para o psiquiatra, mas tinha certeza que havia alguém em sua casa, ligou para polícia. Enquanto o telefone discava, Carlos corria e acendia as luzes da casa, até chegar ao quarto que dividia com sua esposa, lá não viu mais ninguém, apenas os corredores de luzes acesas que deixara para trás.
-Polícia Militar, boa noite, em que posso ajudar? – Uma atendente no telefone.
-Alô, tem alguém invadindo minha casa – dizia Carlos ofegante – Eu vi, o persegui até o outro quarto mais agora ele sumiu, tenho certeza que ainda está aqui.
-Muito bem senhor, mandaremos uma viatura, qual é o endereço?
Carlos tentava dizer, mas não ficara mudo quando viu a luz de seu quarto se apagando. Ouvia barulhos de passos, ruídos estranhos enquanto todas as luzes se apagavam uma atrás da outra, até a luz do quarto que estava se apagar. Os segundos que seguiram pareceram horas para Carlos, barulhos, vozes, gemidos, vultos pareciam rodeá-lo. Estavam em toda a casa, do lado de fora, estavam ao lado de Carlos.
-Senhor, qual é o endereço? – Dizia a atendente, acordando Carlos de seu transe.
De repente, um clarão. O mesmo do dia do acidente.
A atendente apenas ouviu um grito desesperado que fora cortado quando a ligação caiu.

sábado, 18 de agosto de 2012


O maior de todos os meus venenos é a saudade...
 Sob minha pele, correndo nas veias até o coração.
O doce ardor de minhas reminiscências sem idade,
Em meus sonhos e pensamentos é minha pulsão.
Ver, voltar, esquecer, lembrar, sonhar e reviver
O pulso ainda pulsa, saudade, e a razão é você.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Sangue novo

Este é só um projeto de uma ideia que tive, se alguém que leia meu blog quiser dizer algo ou alguma ideia ficarei grato.





-Já teve a sensação de estar sendo seguido? Parece loucura mas faz algum tempo que por onde ando eu sinto que existe alguém me observando. Dizia o jovem para seu amigo enquanto bebiam em um bar
-Sabe o que eu acho? Acho que você deve estar imaginando coisas, ou está muito bêbado ou muito sóbrio para falar de um assunto desses logo na sexta-feita e olha, ainda estamos na primeira garrafa! Retrucou o amigo de cabelos louros rindo.
-É, talvez você tenha mesmo razão, devo estar trabalhando muito ultimamente. E por falar nisso que horas são? Hoje não posso chegar tarde em casa, sabe como são meus compromissos.
-Rá, se sei, seus grande compromissos com downloads de séries, isso é crime sabia? Ainda são 21:30, a hora exata de pegar outra garrafa, por minha conta agora.

                A noite foi demasiada longa e curta ao mesmo tempo, para dois amigos que se encontravam depois de algum tempo. Enquanto conversava com seu amigo, Samuel estava disperso, dificilmente fitava seu amigo que não vira a muito, seus pensamentos não estavam na conversa mas no ambiente a sua volta. Por vezes chegava a olhar cada rosto que passa pelo seu campo de visão, um homem negro de terno, uma mulher com saia longa, outra com saia curta, todos pareciam cumplices de uma estranha conspiração na qual ele parecia ser o centro.
“Será que estou ficando louco? Como poderia pensar que cada pessoa que passa por mim pode ser alguém me seguindo, talvez deva procurar um médico”, este era seu pensamento até ser surpreendido por um rosto estranhamente familiar e este estava fitando-o de fato. Como quem acorda de um sonho assutado ele voltou a si e se deparou com seu amigo chamando seu nome.
                -Ei cara você ta bem? Parece cansado, bebeu demais? Disse o louro rindo agora com a face rubra por causa do alcool.
                -É, não me sinto muito bem, vou até o banheiro. Respondeu já se levantando impedindo o amigo de dizer qualquer coisa.
                Samuel se levantou e passou por algumas mesas até chegar na porta do banheiro, em seu caminho sempre olhando aquele sujeito estranho que o fitava. Parecia ser um homem alto pois estava desajeitado na cadeira, tinha os cabelos vermelhos como fogo e uma barba rala no rosto, embora tivesse certeza que nunca o vira antes, Samuel viu algo familiar naquele homem que o seguia com os olhos, tinha um olhar intimidador, chegando fazê-lo sentir um pouco de medo, seguindo-o até entrar no banheiro. Ao entrar o jovem se viu sozinho, encostou as mãos na pia, suas mãos inexplicavelmente tremiam, de alguma forma a imagem daquele sujeito não lhe saia da cabeça, tentava se lembrar onde o vira antes mas era inútil. Vendo que não conseguiria nada ali, respirou fundo e lavou o rosto, os tremores passaram, mas a estranha sensação ainda o seguia até que ouviu um barulho na porta e viu um vulto entrando no banheiro, com o susto tentou correr e escorregou no chão molhado quase caindo, o pouco tempo que lhe restou apenas olhou para a porta.
                -Ei Sam, qual é? Venha você não parece estar muito bem, paguei nossa conta, vamos embora antes que caia. Disse seu amigo enquanto entrava no banheiro tentando não rir da situação.

                Após alguns instantes os dois amigos caminhavam pela rua, contando casos e rindo como se nada tivesse acontecido, caminharam até uma rua onde cada um iria para um lado, despediram-se e cada um seguiu seu rumo noite adentro.
Samuel havia esquecido da estranha presença por algum tempo, de fato nem se lembrava até começar a se sentir estranho, seus passos foram ficando mais lentos, seus pés pesaram e sentiu seu corpo suando frio. Parou em uma esquina sentindo-se extremamente nauseado, encostou-se em um muro para tentar se focar no caminho, foi quando viu de relance do  outro lado da rua aquele mesmo sujeito, ele estava parado de pé olhando fixamente para Samuel que novamente sentiu aquela sensação estranha e familiar de medo, sua visão ficou turva obrigando a se sentar, com a mão apertou os olhos e quando foi aos poucos recuperando a visão se viu em uma rua deserta. Sentindo-se melhor, se levantou e procurou algum sinal de vida, a rua era aberta não tinha como ninguém simplesmente correr sem que se visse.
                Aliviado, agora lembrando-se da situação encostou-se na parade e rindo disse em voz baixa “é, eu realmente estou ficando louco” e continuou seu trajeto para casa. Após caminhar um pouco, Samuel lembrou-se novamente do sujeito, será que existia mesmo ou era fruto de sua imaginação? Tentou desenhar o rosto em sua mente para descobrir o motivo de esse rosto estranho lhe ser tão familiar, mas não conseguia, sua concentração foi quebrada por um carro passando na rua em alta velocidade, com o susto Samuel teve uma estranha sensação de deja-vu. Foi quando viu claramente o rosto em sua mente, mas não estava do mesmo jeito que o homem do bar, estava mais rústico, parecia um animal e seus olhos pareciam ter sede de sangue.
“Sangue...” ele pensou, e se lembrou dos cabelos vermelhos e de alguma forma associou sangue a ele, foi quando viu aquele sujeito novamente, coberto de sangue com um olhar violento e intimidador que o paralisou, e da mesma forma que apareceu o homem desapereceu de sua vista deixando-o com uma nausea estonteante.
Samuel apenas conseguiu colocar as mãos no estômago como um reflexo, até sentir uma forte pancada na barriga e logo depois uma estranha sensação de dormencia em todo o corpo, a sensação mais reconfortante que jamais sentiu em toda sua vida, durou apenas alguns segundos mas foi o bastante para jamais esquecer. Após alguns instantes a náusea voltou, Samuel olhou para o lado e viu aquele sujeito estranho de cabelos vermelhos, sua boca não se moveu mas ele escutou claramente sua voz dizendo “Bem vindo ao meu mundo”, e a última coisa que se lembra foi de vomitar. Samuel despertou em seu quarto, ofegante e com sede, confuso sobre como chegou em casa, mas feliz por aquilo ter sido um sonho, sentia apenas uma leve dormencia na parte de tras do pescoço que julgou ter ocorrido por causa de sua posição na cama. Após beber água deitou-se na cama e adormeceu rapidamente sem se dar conta de um pequeno hematoma na dormencia em seu pescoço.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Praticando o desapego


Praticar o desapego é mera ilusão
É o ouro-de-tolo do coração.
De que adianta afinal esquecer
Tudo aquilo que foi vivido?

As lembranças no limbo a corroer
E perder tudo de outrora aprendido.

Não, exatamente todos os meus amores
Ainda vivem a habitar meu coração.
Com eles aprendi a viver sem rancores
São águas calmas conciliadas à paixão.

E se algum dia pelo desapego eu perecer,
Minha vida, junto as lembranças irá morrer.

sexta-feira, 15 de junho de 2012


De volta do mundo dos mortos
Onde pereci, no limbo do esquecimento
Sem palavras ou devaneios tortos
Onde foram parar tantos momentos
Palavras, frases, rios de orgulho
Afogados no vazio junto aos sentimentos

Pobre alma desperta sem entendimento
Novamente os dias passam a urgir
Não é o vazio, nem tudo é o esquecimento
Esta alma ainda pode sentir...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Dia dos Namorados


Amor, meu grande amor...
Amo-te mais que o sol a lua
Cantando o seu belo louvor
Amo-te mais que a beleza nua

Muito mais que a carne de seus lábios
Ou minhas mãos tocando seu semblante
Nossos corpos unos, sábios
Sua pele, minha perfeita amante

Sua bela voz em minha mente
Cantando, melodias explodindo
E com sangue em mãos contente
Do corpo que jaz exaurido

Não, amo-te ainda mais!
Não é apenas mera carne pútrida
Não são ossos de animais

Meu amor jaz em seu leito vazio
Mesmo que não tenha partido
Agora é preenchido

Em nossa núpcia de madeira
Tudo mais se prepara
Para sempre noite sorrateira
Nem mesmo a morte nos separa

Atrasado mas tudo bem...

Mosca

Diário do Dr. Fleubermann Paciente nº 003764 Curioso e peculiar o caso deste paciente em específico. Ainda me lembro bem da primeir...