Hoje percebi que estava em uma prisão de vidro
E as paredes embaçavam a cada respiração
E sempre a mesma imagem no fosco refletida
Não é rosto, mas o seu com toda descrição
E por mais distorcido que seja o espelho
O que sempre via era seu sorriso torto
Meros reflexos da imagem do coelho
Sempre correndo atras do tempo morto
Um dia vi outra luz em meu semblante
E com o susto quebrei-o em mil partes
E meus olhos doeram por um instante
E a verdade se revelou como uma arte
E através dos espelhos quebrados eu percebi
Que você nunca esteve ali...
quinta-feira, 8 de março de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
100
-Oi?
-Oi!
-Ah é você... Mas você não havia morrido?
-Eu? Quando? Quem disse?
-É que pra mim você está morta
silêncio
-Isso... isso é verdade?
mais silêncio
-Não, não é verdade. O fato é que você nunca morreu para mim. Nunca sequer um dia deixei de pensar em você... mesmo dizendo tudo que disse, mesmo que demonstrasse o contrário nunca deixei de amá-la e agora acontece que cansei de esconder tal verdade.
silencio
-Oi!
-Ah é você... Mas você não havia morrido?
-Eu? Quando? Quem disse?
-É que pra mim você está morta
silêncio
-Isso... isso é verdade?
mais silêncio
-Não, não é verdade. O fato é que você nunca morreu para mim. Nunca sequer um dia deixei de pensar em você... mesmo dizendo tudo que disse, mesmo que demonstrasse o contrário nunca deixei de amá-la e agora acontece que cansei de esconder tal verdade.
silencio
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
The Black Cigarette
Já teve um sonho tão intenso que parecia ser real...
E quando despertou desejou morrer enquanto sonhava?
Um paraíso de ilusões...
Eu sei que foi real, eu pude sentir
Sua voz dizendo meu nome novamente
E por caminhos tortos nossas mãos a se unir
Nossos lábios se tocarem inconsequentes
Foi apenas seu cheiro que não senti
até quando nossos lábios se distanciaram
Não precisava lembrar pois jamais esqueci
Nem as lembranças se queimaram
Nem esvaeceram-se na fumaça
De um cigarro tortuoso no ar
Também não perderam sua graça
Pois a cabeça nunca deixou de te amar
E quando despertou desejou morrer enquanto sonhava?
Um paraíso de ilusões...
Eu sei que foi real, eu pude sentir
Sua voz dizendo meu nome novamente
E por caminhos tortos nossas mãos a se unir
Nossos lábios se tocarem inconsequentes
Foi apenas seu cheiro que não senti
até quando nossos lábios se distanciaram
Não precisava lembrar pois jamais esqueci
Nem as lembranças se queimaram
Nem esvaeceram-se na fumaça
De um cigarro tortuoso no ar
Também não perderam sua graça
Pois a cabeça nunca deixou de te amar
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Memórias
Vejo seu rosto tão perto
e sempre distante...
Posso sentir em seu hálito
lembranças disfórmicas
E me retorna aquele instante
sua face, seu toque, um beijo...
Faz-me o espírito inadmissível
talvez até um som inaudível
Mas que ecoa em cada fibra
da molécula de meu ser
E seu rosto novamente
opaco e intangível...
Eu sou um fantasma descontente
e sempre distante...
Posso sentir em seu hálito
lembranças disfórmicas
E me retorna aquele instante
sua face, seu toque, um beijo...
Faz-me o espírito inadmissível
talvez até um som inaudível
Mas que ecoa em cada fibra
da molécula de meu ser
E seu rosto novamente
opaco e intangível...
Eu sou um fantasma descontente
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Sem face
Eu sou a sombra de um rosto sem face
E não existe nenhuma expressão
No semblante de quem não nasce
Não há bondade no peito vazio
Nada bate, não existe coração
E a alma errante de um vadio
Eremita de seus próprios sentimentos
Foge aos prantos de sua existência
Mas jamais esqueces da paixão
E não existe nenhuma expressão
No semblante de quem não nasce
Não há bondade no peito vazio
Nada bate, não existe coração
E a alma errante de um vadio
Eremita de seus próprios sentimentos
Foge aos prantos de sua existência
Mas jamais esqueces da paixão
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Solitude
Um sol negro aparece entre as nuvens do horizonte
Anunciando o presságio do mais assombroso dos dias
E as lembranças amargas retornam a fronte...
Perdoe-me milady por tudo
-pois mesmo se me perdoar...
Jamais perdoarei meu erro moribundo
Hei de algum dia deixar de chorar
Anunciando o presságio do mais assombroso dos dias
E as lembranças amargas retornam a fronte...
Perdoe-me milady por tudo
-pois mesmo se me perdoar...
Jamais perdoarei meu erro moribundo
Hei de algum dia deixar de chorar
terça-feira, 18 de outubro de 2011
O Jardim
Não havia mais flores naquele jardim
Apenas um vento gélido ali reinava
Os sentimentos tiveram o mesmo fim
Não existia o tempo, ali ele não parava
E nas mãos frias sentia um toque gélido
Uma carcaça, decomposição de uma flor
E sobre um suspiro lembra-se trepido
Neste coração um dia já reinou o amor
Neste chão que nem rosas mais florescem
Sentimento nascido em terra burial
Não há mais sol onde as flores alvorecem
E no peito vazio bate algo superficial
E na terra pelos homens esquecida
Não existem lágrimas de uma partida
Existem apenas doces amargas lembranças
De uma vida que nunca fora vivida
Apenas um vento gélido ali reinava
Os sentimentos tiveram o mesmo fim
Não existia o tempo, ali ele não parava
E nas mãos frias sentia um toque gélido
Uma carcaça, decomposição de uma flor
E sobre um suspiro lembra-se trepido
Neste coração um dia já reinou o amor
Neste chão que nem rosas mais florescem
Sentimento nascido em terra burial
Não há mais sol onde as flores alvorecem
E no peito vazio bate algo superficial
E na terra pelos homens esquecida
Não existem lágrimas de uma partida
Existem apenas doces amargas lembranças
De uma vida que nunca fora vivida
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Quem me dera...
Quem me dera poder ter tudo de volta...
Os dias,
as lembranças,
os risos,
a felicidade,
o amor...
Onde foi que deixei tudo isso? Onde foi que me perdi?
Quem me dera acordar um dia
e ver que foi tudo um pesadelo
Quem me dera despertar e ver tudo em seu lugar
Os dias,
as lembranças,
os risos,
a felicidade,
o amor...
Onde foi que deixei tudo isso? Onde foi que me perdi?
Quem me dera acordar um dia
e ver que foi tudo um pesadelo
Quem me dera despertar e ver tudo em seu lugar
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Deusa de Plástico
Deusa de plástico, beleza encantadora
Seu olhar firme e profundo ilumina orações
E sua pele alva de amor fornecedora
Por onde caminha, oh Deusa, arranca corações
Mas qual é a cor por baixo do plástico de seu olhar?
O que há de se esconder atrás de tamanha beleza?
Oh Deus, a chuva pode solver-lhe ao tocar?
Se é que existe alguém por trás da sutileza...
E o vento ao tocar seus cabelos dançantes
Uma dança falsa e hipnotizadora...
Enquanto durar sua beleza estonteante
E refazer em sua pele, sua beleza inspiradora.
Seu olhar firme e profundo ilumina orações
E sua pele alva de amor fornecedora
Por onde caminha, oh Deusa, arranca corações
Mas qual é a cor por baixo do plástico de seu olhar?
O que há de se esconder atrás de tamanha beleza?
Oh Deus, a chuva pode solver-lhe ao tocar?
Se é que existe alguém por trás da sutileza...
E o vento ao tocar seus cabelos dançantes
Uma dança falsa e hipnotizadora...
Enquanto durar sua beleza estonteante
E refazer em sua pele, sua beleza inspiradora.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Divino Inferno
Ouço falar em Deus o dia inteiro
Mas vivo em um inferno traiçoeiro
Onde está a resposta prometida?
Onde existe a vida garantida?
E veja meu silêncio displicente...
Mais alto que qualquer grito estridente
Quando esta busca irá terminar?
Sonho com a paz, se ela retornar...
Vivo sob uma tortura de orações...
Vivo uma vida de lamentações
Vivendo sonhos que já não são meus
Pacientemente aguardando o dia do adeus...
Mas vivo em um inferno traiçoeiro
Onde está a resposta prometida?
Onde existe a vida garantida?
E veja meu silêncio displicente...
Mais alto que qualquer grito estridente
Quando esta busca irá terminar?
Sonho com a paz, se ela retornar...
Vivo sob uma tortura de orações...
Vivo uma vida de lamentações
Vivendo sonhos que já não são meus
Pacientemente aguardando o dia do adeus...
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Memento
Memórias agridoces pairam com fulgor
Foram dias que realmente existiram?
Irá à felicidade para subjugar esta dor?
Por onde seus turvos passos caminham?
Tenho tantas perguntas sem respostas...
Tantos desejos, tantas palavras a serem ditas
E do fim do ciclo, onde está sua proposta?
O desejo ainda deseja, diga, não mintas...
Memórias agridoces respiram seu ardor
E se algum dia essa chama se apagar...
Se tal gosto perder seu peculiar sabor
Tenha certeza: - Eis que há um coração a parar!
Daí não existirá mais rimas para compor
Não haverá mais versos para escrever
Canções escritas por vozes em vão
Um pobre tolo buscando sua redenção
Foram dias que realmente existiram?
Irá à felicidade para subjugar esta dor?
Por onde seus turvos passos caminham?
Tenho tantas perguntas sem respostas...
Tantos desejos, tantas palavras a serem ditas
E do fim do ciclo, onde está sua proposta?
O desejo ainda deseja, diga, não mintas...
Memórias agridoces respiram seu ardor
E se algum dia essa chama se apagar...
Se tal gosto perder seu peculiar sabor
Tenha certeza: - Eis que há um coração a parar!
Daí não existirá mais rimas para compor
Não haverá mais versos para escrever
Canções escritas por vozes em vão
Um pobre tolo buscando sua redenção
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Rigor Mortis
E agora que a canção terminou?
É inevitável chocar-se com o silêncio
Confrontar com a consciência que cegou
A besta que criou seu compêndio
E a sabedoria do acaso se cessou
A fronte, lágrimas banham o chão
O sangue derramado já secou
Mas de que adianda
se não bate mais um coração?
É inevitável chocar-se com o silêncio
Confrontar com a consciência que cegou
A besta que criou seu compêndio
E a sabedoria do acaso se cessou
A fronte, lágrimas banham o chão
O sangue derramado já secou
Mas de que adianda
se não bate mais um coração?
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Turva Linha Reta
Caminho em passos certos por destinos incertos
E o chão onde era firme e rijo torna-se lama
Onde estarei eu? Já não me vejo mais por perto
Tão pouco vejo laços no cabelo da dama
E assim os dias passam, as noites vêm e vão
E a apatia ao meu lado, fito-a se quer saber
E os olhos displicentes procuram pelo perdão
E as noites senhorita, passo-as a beber
Sem as doses do conhaque e os seios da morena
O que mais há de se restar? Eis que queira saber...
E o chão onde era firme e rijo torna-se lama
Onde estarei eu? Já não me vejo mais por perto
Tão pouco vejo laços no cabelo da dama
E assim os dias passam, as noites vêm e vão
E a apatia ao meu lado, fito-a se quer saber
E os olhos displicentes procuram pelo perdão
E as noites senhorita, passo-as a beber
Sem as doses do conhaque e os seios da morena
O que mais há de se restar? Eis que queira saber...
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Sexta Feira Treze
Era madrugada, não sabia se dormia
Podia ser sonhos lúcidos o imaginação
Na calada da noite claramente a via
E como pesadelo eu corria sem direção
Da parede via escorrer sangue viscoso
Ouvia zombarias e gritos estridentes
E no peito me batia o coração rançoso
Onde estaria a dama de lábios contentes?
Caminhava por rios de águas cortantes
E na bruma da noite, leitos solitários
Era assombrado por vôos rasantes
E também por espíritos bicentenários
Eis que pude senti-la em seu calor confortante
Seus lábios me tocaram, sua voz era revigorante
Com olhos em prantos, percebi logo em tese
E com sorriso ela dizia – feliz sexta feira treze.
Podia ser sonhos lúcidos o imaginação
Na calada da noite claramente a via
E como pesadelo eu corria sem direção
Da parede via escorrer sangue viscoso
Ouvia zombarias e gritos estridentes
E no peito me batia o coração rançoso
Onde estaria a dama de lábios contentes?
Caminhava por rios de águas cortantes
E na bruma da noite, leitos solitários
Era assombrado por vôos rasantes
E também por espíritos bicentenários
Eis que pude senti-la em seu calor confortante
Seus lábios me tocaram, sua voz era revigorante
Com olhos em prantos, percebi logo em tese
E com sorriso ela dizia – feliz sexta feira treze.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Eu odeio
Eu odeio a forma que me olham
Olhos nunca são o bastante
Olham-me, mas não me enxergam
A glória sempre fica distante
Eu odeio a forma que me tratam
Além de não me ver
Não sou imagem ou espelho deformado
Não, querem me fazer crer...
Às vezes queria encontrar minha caverna
Meu cubículo invólucro protetor
Talvez assim conseguiria me encontrar
Odeio todos esses vermes
Suas brigas ignóbeis e lamacentas
E o cerne de suas peles exposta
Até suas entranhas buscam encrenca
Odeio as glórias das reminiscências
E o passado, a vitória fugaz...
Odeio esta alma perdida sem essência
E ter que olhar para trás
Odeio procurar a paixão
Mesmo sabendo onde ela está
E deixá-la me procurar...
Olhos nunca são o bastante
Olham-me, mas não me enxergam
A glória sempre fica distante
Eu odeio a forma que me tratam
Além de não me ver
Não sou imagem ou espelho deformado
Não, querem me fazer crer...
Às vezes queria encontrar minha caverna
Meu cubículo invólucro protetor
Talvez assim conseguiria me encontrar
Odeio todos esses vermes
Suas brigas ignóbeis e lamacentas
E o cerne de suas peles exposta
Até suas entranhas buscam encrenca
Odeio as glórias das reminiscências
E o passado, a vitória fugaz...
Odeio esta alma perdida sem essência
E ter que olhar para trás
Odeio procurar a paixão
Mesmo sabendo onde ela está
E deixá-la me procurar...
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Chuva
O céu tremeu diante de meus pés
Enquanto delirava admirando seu olhar
Começou no mais memorável revés
Mais do que nunca agora posso amar
Mesmo com o céu a cair em minha cabeça
E meus pés molhados pisando no chão
Toda a chuva que caí do céu é gota
Comparada ao júbilo de meu coração
E nada irá impedir que o futuro aconteça
Pela primeira vez pude sentir seu perfume
Olhar de perto em seus olhos antes que eu pereça
E mesmo que pouco, de seu corpo o ardume
E em meio a palavras e sorrisos sinceros
Mesmo que por um instante o mundo parou
Nas águas da chuva, na simetria do singelo
Foi no mesmo momento em que tudo retornou
Enquanto delirava admirando seu olhar
Começou no mais memorável revés
Mais do que nunca agora posso amar
Mesmo com o céu a cair em minha cabeça
E meus pés molhados pisando no chão
Toda a chuva que caí do céu é gota
Comparada ao júbilo de meu coração
E nada irá impedir que o futuro aconteça
Pela primeira vez pude sentir seu perfume
Olhar de perto em seus olhos antes que eu pereça
E mesmo que pouco, de seu corpo o ardume
E em meio a palavras e sorrisos sinceros
Mesmo que por um instante o mundo parou
Nas águas da chuva, na simetria do singelo
Foi no mesmo momento em que tudo retornou
terça-feira, 15 de março de 2011
O Chamado
Sussuram-me os ventos das lembranças
No frio e solitário leito
No desejo da mudança
Terá o ciclo mudado seu jeito?
As lembranças permanecem
O desejo ainda deseja
Sentimentos remanescem
Talvez tudo esteja...
Seria tarde para desculpas?
Ou a noite de monólogos intermináveis?
Será este o sentimento que usurpa?
Ou apenas somos seres lamentáveis?
Tantas perguntas,
Tão poucas respostas
E na mesa: dois ases e a permuta
Esta será minha última aposta
Eu sei que ainda me lê
No blefe da jogada
Na noite alucinada
Sabe das palavras para você
No frio e solitário leito
No desejo da mudança
Terá o ciclo mudado seu jeito?
As lembranças permanecem
O desejo ainda deseja
Sentimentos remanescem
Talvez tudo esteja...
Seria tarde para desculpas?
Ou a noite de monólogos intermináveis?
Será este o sentimento que usurpa?
Ou apenas somos seres lamentáveis?
Tantas perguntas,
Tão poucas respostas
E na mesa: dois ases e a permuta
Esta será minha última aposta
Eu sei que ainda me lê
No blefe da jogada
Na noite alucinada
Sabe das palavras para você
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Incongruente
Vazio incongruente
A alma que se dizia
Vazia, demente...
O rosto que sempre sorria
Era incapaz de amar
Mas seus olhos ainda brilhavam
Já não podia voltar
No tempo onde se matavam
Já se foi a era
Dos cigarros e tentações
O passado é uma quimera
São meras recordações
E o futuro displicente...
Arquitetará um rosto contente?
A alma que se dizia
Vazia, demente...
O rosto que sempre sorria
Era incapaz de amar
Mas seus olhos ainda brilhavam
Já não podia voltar
No tempo onde se matavam
Já se foi a era
Dos cigarros e tentações
O passado é uma quimera
São meras recordações
E o futuro displicente...
Arquitetará um rosto contente?
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Um conto...
Lembro-me até hoje, de quando eu era criança e ia com minha família para a roça de meu avô. Nessa época, eu tinha cerca de 13 anos e minha família era muito unida, e como tenho muitos tios, também tenho muitos primos, quase todos da mesma idade, deixando a casa sempre cheia. Para chegarmos na, passávamos por uma pequena cidade chamada Carmo do Cajuru, e depois entrávamos em uma espécie de comunidade rural que na verdade eu nunca soube seu verdadeiro nome, mas que sempre foi por mim conhecido como Ribeiro. Depois que saíamos da cidade, que era metade do caminho para a roça, andávamos cerca de 10km pelo Ribeiro até chegar na propriedade de meu avô. Mais ou menos na metade deste caminho havia uma propriedade onde tinha apenas uma pequena casa, meu pai sempre dizia que aquilo um dia foi uma escola que pegou fogo, e sempre ao lado da pequena casinha vazia havia um cavalo, todas às vezes era a mesma cena.
Houve uma vez em que eu e meus primos queríamos ir até esta casa, apenas por questão de curiosidade, pois sabíamos que nossos pais muitas vezes contavam histórias mentirosas quando não sabiam de algo, apenas para nos assustar ou para não ter que explicar muito. Quando mencionamos para nossos pais que iríamos a casa, fomos repreendidos e xingados, como se estivéssemos fazendo alguma coisa realmente errada ou perigosa, o que apenas aumentou nossa vontade de conhecer a tal casa. Como não podíamos ir enquanto estava cedo, eu e mais 2 primos fomos até a lagoa que tinha na parte de baixo da roça para nadar e aproveitamos para bolar um plano de como iríamos até a casa.
Passaram-se algumas horas e tudo ficou decidido: não demonstraríamos mais interesse na casa já que nada adiantaria, mas decidimos ir escondidos ao entardecer logo após o churrasco que nossos pais iriam fazer, já que sempre ficavam bêbados e a partir daí seria mais fácil e para encobrir nossas pistas resolvemos não contar nada para nossos outros irmãos e primos, ninguém saberia aonde iríamos.
O restante do dia foi uma agonizante espera, até que finalmente, por volta das 18:00 quase todos estavam apagados ou ocupados demais jogando baralho para perceberem ou perguntarem alguma coisa. Fomos até o quarto para procurarmos três lanternas, mas encontramos apenas duas, e como meu pai estava apagado neste quarto, resolvemos não prolongar muito nossa busca. Saímos dando a volta por trás da casa para evitar suspeitas ou perguntas que poderiam nos entregar, e realmente ninguém nos viu.
Nossa ida até a casa foi bem tranqüila, estava entardecendo e tínhamos sempre uma bela visão de uma floresta, as vezes víamos alguma casa ou passava algum carro. Depois de cerca de uma hora de viagem, já estava um pouco escuro, mas ainda não precisávamos das lanternas; estávamos no alto de um morro e lá em baixo, no pé do morro podíamos ver a tal escola que para nossa surpresa estava com um lampião aceso do lado de fora. Ao ver meu primo cutucou meu braço e disse “ta vendo, mora gente lá, mas vamos descer e ver quem mora, depois a gente conta pros outros.”
Quando chegamos à metade do morro, luz se apagou, mas como estávamos determinados em nossa jornada, continuamos o caminho. Ao terminar de descer, já estava escuro e um pouco frio, pois ali perto tinha um córrego, mas achamos melhor não ligar as lanternas por enquanto. Assim que paramos em frente a casa eu reparei algo peculiar: o terreno parecia bem pequeno, cerca de 15x15 metros e ele era totalmente cercado por arame, não tinha nenhuma entrada nele, e nenhum sinal de vida também, nem mesmo o cavalo estava lá, mas onde costumava ficar eu vi que não havia mato no chão e um pequeno toco preto, quase invisível na noite, queimado. Nos terrenos do lado o mato em volta da casa era grande, apenas nela era bem pequeno e curto, parecia que era aparado. Passar por debaixo da cerca velha não foi nenhum desafio para mim ou para meus primos e assim que pisamos naquela propriedade estranha eu senti uma brisa mais forte, e lá o chão era mais duro até mesmo que a estrada de terra onde sempre passavam carros e carroças.
Caminhamos em fila indiana ao redor da pequena casa, que tinha apenas uma única janela sem vidros e na parte de trás, escondida havia uma carruagem bem velha, primeiro pensei que o cavalo a puxava, mas logo percebi que estava estragada, os bancos estavam pela metade, a madeira estava podre e dificilmente agüentaria o peso de uma pessoa e suas rodas estavam tão enferrujadas e sujas que se alguém tentasse mover a carruagem as rodas ficariam totalmente imóveis, e ela parecia estar a tanto tempo parada que suas rodas de ferro estavam afundadas no chão cerca de 5 cm.
Depois desta rápida exploração tomamos coragem e chegamos a porta da casa. Ela era azul e rústica, com a tintura caindo aos pedaços em alguns lugares, não havia porta e o chão estava todo empoeirado e como não havia nenhum sinal de vida, resolvemos ligar as lanternas. Para nossa surpresa, a casa estava totalmente vazia, sem nenhum móvel, e nenhuma marca de presença humana. Dentro desta casa havia apenas dois cômodos em um deles, o principal havia o que um dia foi um quadro negro, com metade queimado, deste lado da sala o teto e as paredes também estavam todos pretos, quase em cinzas, o que se estendia até o outro cômodo onde aparentemente o incêndio destruiu tudo inclusive o teto da pequena escola.
Estávamos entretidos quando reparamos uma forte luz do lado de fora como se fosse uma lanterna bem forte. Tamanho foi o susto que saímos correndo para o lado de fora da casa, mas não vimos absolutamente nada lá. Um de meus primos se apavorou e logo saiu da propriedade com uma das lanternas e disse para irmos logo embora enquanto ligava sua lanterna e subia o morro. Eu e meu outro primo vimos algo que nos chamou atenção antes de subirmos, havia algo estranho naquele toco em cinzas bem no meio do terreno, onde não havia grama em volta, ele parecia estar estalando. Chegamos perto cautelosamente e percebemos que ele estava não só estalando, mas também estava quente em volta dele. Neste momento eu senti um arrepio em todo meu corpo e comecei a tremer, se antes não estava com medo a partir daquele momento eu estava totalmente apavorado, foi aí que vimos uma luz de uma lanterna dentro da casa e o vulto de alguém atrás. Fiquei olhando pensando ser meu outro primo, mas de repente vi meu primo que estava comigo dar passos para trás pálido como um fantasma, foi aí que reparei que não era meu primo lá, porque eu o via na metade do morro com sua lanterna acesa.
Saímos correndo de lá o mais rápido possível e quando estávamos correndo passei ao lado do toco sem perceber. Subimos o morro correndo com todas as nossas forças e quando já não víamos mais a casa nós paramos, apontei a lanterna para meu pé e vi que estava vermelho como se estivesse perto do fogo e um pequeno pedaço de meu tênis estava derretido. Meus primos assustados foram correndo para o rumo da roça, eu antes de correr dei uma olhada para a casa no pé do morro e vi uma centelha de fogo se apagando. Apavorado, corri para junto de meus primos e sequer toquei no assunto.
Durante todo o caminho de volta para a roça, estávamos assustados e correndo, mas ainda assim suávamos frio, algo parecia estar atrás de nós, embora olhávamos frequentemente para trás não víamos nada, o tempo todo nós ouvíamos barulhos de cascos de um cavalo galopando rapidamente mas nunca o vimos, apenas durante um instante pensei ter visto um vulto branco bem distante que me lembrou o cavalo que sempre via na propriedade.
Quando finalmente chegamos na roça, já passavam das 9 da noite e estávamos mais calmos. Descemos o caminho para a casa mais tranqüilos e a estranha sensação passou, mas por dúvida eu olhei para trás e vi uma pequena luz passando, meu primo disse ser um carro, apesar de não termos ouvido nada, mas mesmo assim consegui convencê-lo a subir e ver. O chão estava quente e não havia nada na estrada, apenas um rastro muito longo que nenhum de nós nunca havia reparado antes, de cerca de 5 cm de profundidade, comentei com meu primo que esse buraco parecia com aquele perto das rodas da carruagem na casa, subitamente meu primo me olhou com uma cara estranha e perguntou “Mas que carruagem? Não tinha nada naquela casa.” Na hora percebi que fiquei tão branco quanto ele ao ver o vulto dentro da casa, e sem falar nada apenas desci para a nossa casa na roça. Depois daquele dia combinamos de nunca mais falar sobre o que aconteceu e ninguém jamais soube desta história.
Semana passada fui a roça de meu avô, que agora é de um tio meu, fui com minha namorada e um casal de amigos meus, iríamos acampar. Faz mais de 10 anos que isto aconteceu, muita coisa mudou no caminho do Ribeiro até a roça, mas a estranha escola que pegou fogo continua lá, parada no tempo e seu cavalo também, sei que ele me olhou e me reconheceu quando passei de carro olhando para a casa, eu senti isso. Isso e um calafrio que nunca mais vou esquecer ao ver a velha carruagem no mesmo lugar e dois rastros de rodas que saem exatamente das rodas dela e, embora um pouco apagados pelo tempo, passam exatamente na porta da propriedade da roça.
Houve uma vez em que eu e meus primos queríamos ir até esta casa, apenas por questão de curiosidade, pois sabíamos que nossos pais muitas vezes contavam histórias mentirosas quando não sabiam de algo, apenas para nos assustar ou para não ter que explicar muito. Quando mencionamos para nossos pais que iríamos a casa, fomos repreendidos e xingados, como se estivéssemos fazendo alguma coisa realmente errada ou perigosa, o que apenas aumentou nossa vontade de conhecer a tal casa. Como não podíamos ir enquanto estava cedo, eu e mais 2 primos fomos até a lagoa que tinha na parte de baixo da roça para nadar e aproveitamos para bolar um plano de como iríamos até a casa.
Passaram-se algumas horas e tudo ficou decidido: não demonstraríamos mais interesse na casa já que nada adiantaria, mas decidimos ir escondidos ao entardecer logo após o churrasco que nossos pais iriam fazer, já que sempre ficavam bêbados e a partir daí seria mais fácil e para encobrir nossas pistas resolvemos não contar nada para nossos outros irmãos e primos, ninguém saberia aonde iríamos.
O restante do dia foi uma agonizante espera, até que finalmente, por volta das 18:00 quase todos estavam apagados ou ocupados demais jogando baralho para perceberem ou perguntarem alguma coisa. Fomos até o quarto para procurarmos três lanternas, mas encontramos apenas duas, e como meu pai estava apagado neste quarto, resolvemos não prolongar muito nossa busca. Saímos dando a volta por trás da casa para evitar suspeitas ou perguntas que poderiam nos entregar, e realmente ninguém nos viu.
Nossa ida até a casa foi bem tranqüila, estava entardecendo e tínhamos sempre uma bela visão de uma floresta, as vezes víamos alguma casa ou passava algum carro. Depois de cerca de uma hora de viagem, já estava um pouco escuro, mas ainda não precisávamos das lanternas; estávamos no alto de um morro e lá em baixo, no pé do morro podíamos ver a tal escola que para nossa surpresa estava com um lampião aceso do lado de fora. Ao ver meu primo cutucou meu braço e disse “ta vendo, mora gente lá, mas vamos descer e ver quem mora, depois a gente conta pros outros.”
Quando chegamos à metade do morro, luz se apagou, mas como estávamos determinados em nossa jornada, continuamos o caminho. Ao terminar de descer, já estava escuro e um pouco frio, pois ali perto tinha um córrego, mas achamos melhor não ligar as lanternas por enquanto. Assim que paramos em frente a casa eu reparei algo peculiar: o terreno parecia bem pequeno, cerca de 15x15 metros e ele era totalmente cercado por arame, não tinha nenhuma entrada nele, e nenhum sinal de vida também, nem mesmo o cavalo estava lá, mas onde costumava ficar eu vi que não havia mato no chão e um pequeno toco preto, quase invisível na noite, queimado. Nos terrenos do lado o mato em volta da casa era grande, apenas nela era bem pequeno e curto, parecia que era aparado. Passar por debaixo da cerca velha não foi nenhum desafio para mim ou para meus primos e assim que pisamos naquela propriedade estranha eu senti uma brisa mais forte, e lá o chão era mais duro até mesmo que a estrada de terra onde sempre passavam carros e carroças.
Caminhamos em fila indiana ao redor da pequena casa, que tinha apenas uma única janela sem vidros e na parte de trás, escondida havia uma carruagem bem velha, primeiro pensei que o cavalo a puxava, mas logo percebi que estava estragada, os bancos estavam pela metade, a madeira estava podre e dificilmente agüentaria o peso de uma pessoa e suas rodas estavam tão enferrujadas e sujas que se alguém tentasse mover a carruagem as rodas ficariam totalmente imóveis, e ela parecia estar a tanto tempo parada que suas rodas de ferro estavam afundadas no chão cerca de 5 cm.
Depois desta rápida exploração tomamos coragem e chegamos a porta da casa. Ela era azul e rústica, com a tintura caindo aos pedaços em alguns lugares, não havia porta e o chão estava todo empoeirado e como não havia nenhum sinal de vida, resolvemos ligar as lanternas. Para nossa surpresa, a casa estava totalmente vazia, sem nenhum móvel, e nenhuma marca de presença humana. Dentro desta casa havia apenas dois cômodos em um deles, o principal havia o que um dia foi um quadro negro, com metade queimado, deste lado da sala o teto e as paredes também estavam todos pretos, quase em cinzas, o que se estendia até o outro cômodo onde aparentemente o incêndio destruiu tudo inclusive o teto da pequena escola.
Estávamos entretidos quando reparamos uma forte luz do lado de fora como se fosse uma lanterna bem forte. Tamanho foi o susto que saímos correndo para o lado de fora da casa, mas não vimos absolutamente nada lá. Um de meus primos se apavorou e logo saiu da propriedade com uma das lanternas e disse para irmos logo embora enquanto ligava sua lanterna e subia o morro. Eu e meu outro primo vimos algo que nos chamou atenção antes de subirmos, havia algo estranho naquele toco em cinzas bem no meio do terreno, onde não havia grama em volta, ele parecia estar estalando. Chegamos perto cautelosamente e percebemos que ele estava não só estalando, mas também estava quente em volta dele. Neste momento eu senti um arrepio em todo meu corpo e comecei a tremer, se antes não estava com medo a partir daquele momento eu estava totalmente apavorado, foi aí que vimos uma luz de uma lanterna dentro da casa e o vulto de alguém atrás. Fiquei olhando pensando ser meu outro primo, mas de repente vi meu primo que estava comigo dar passos para trás pálido como um fantasma, foi aí que reparei que não era meu primo lá, porque eu o via na metade do morro com sua lanterna acesa.
Saímos correndo de lá o mais rápido possível e quando estávamos correndo passei ao lado do toco sem perceber. Subimos o morro correndo com todas as nossas forças e quando já não víamos mais a casa nós paramos, apontei a lanterna para meu pé e vi que estava vermelho como se estivesse perto do fogo e um pequeno pedaço de meu tênis estava derretido. Meus primos assustados foram correndo para o rumo da roça, eu antes de correr dei uma olhada para a casa no pé do morro e vi uma centelha de fogo se apagando. Apavorado, corri para junto de meus primos e sequer toquei no assunto.
Durante todo o caminho de volta para a roça, estávamos assustados e correndo, mas ainda assim suávamos frio, algo parecia estar atrás de nós, embora olhávamos frequentemente para trás não víamos nada, o tempo todo nós ouvíamos barulhos de cascos de um cavalo galopando rapidamente mas nunca o vimos, apenas durante um instante pensei ter visto um vulto branco bem distante que me lembrou o cavalo que sempre via na propriedade.
Quando finalmente chegamos na roça, já passavam das 9 da noite e estávamos mais calmos. Descemos o caminho para a casa mais tranqüilos e a estranha sensação passou, mas por dúvida eu olhei para trás e vi uma pequena luz passando, meu primo disse ser um carro, apesar de não termos ouvido nada, mas mesmo assim consegui convencê-lo a subir e ver. O chão estava quente e não havia nada na estrada, apenas um rastro muito longo que nenhum de nós nunca havia reparado antes, de cerca de 5 cm de profundidade, comentei com meu primo que esse buraco parecia com aquele perto das rodas da carruagem na casa, subitamente meu primo me olhou com uma cara estranha e perguntou “Mas que carruagem? Não tinha nada naquela casa.” Na hora percebi que fiquei tão branco quanto ele ao ver o vulto dentro da casa, e sem falar nada apenas desci para a nossa casa na roça. Depois daquele dia combinamos de nunca mais falar sobre o que aconteceu e ninguém jamais soube desta história.
Semana passada fui a roça de meu avô, que agora é de um tio meu, fui com minha namorada e um casal de amigos meus, iríamos acampar. Faz mais de 10 anos que isto aconteceu, muita coisa mudou no caminho do Ribeiro até a roça, mas a estranha escola que pegou fogo continua lá, parada no tempo e seu cavalo também, sei que ele me olhou e me reconheceu quando passei de carro olhando para a casa, eu senti isso. Isso e um calafrio que nunca mais vou esquecer ao ver a velha carruagem no mesmo lugar e dois rastros de rodas que saem exatamente das rodas dela e, embora um pouco apagados pelo tempo, passam exatamente na porta da propriedade da roça.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Indivisível Humano
A carne podre sobre meus dedos
Arranca e dilacera minh’alma
O cerne que expõe meus medos
Retifica o ignóbil em minha palma
Anjo puro n’outrora com rigor
Cai cedido as tenras exceções
E em seu mais árduo furor
Partilha no corpo suas tentações
-Paraíso, cai em minhas mãos!
de um grito rouco se ecoando
Esvai-se entre os dedos até o chão
A liberdade em suas asas voando
E o paraíso se perdeu numa esquina qualquer
Jogado em seu canto esculhambado, maltrapido
Destituído de seu encanto ou seu valor sequer
Jogado ao chão a mercê dos ratos
Carne podre que desmancha a alma
-Maldito corpo que cede a seus gastos!
Arranca e dilacera minh’alma
O cerne que expõe meus medos
Retifica o ignóbil em minha palma
Anjo puro n’outrora com rigor
Cai cedido as tenras exceções
E em seu mais árduo furor
Partilha no corpo suas tentações
-Paraíso, cai em minhas mãos!
de um grito rouco se ecoando
Esvai-se entre os dedos até o chão
A liberdade em suas asas voando
E o paraíso se perdeu numa esquina qualquer
Jogado em seu canto esculhambado, maltrapido
Destituído de seu encanto ou seu valor sequer
Jogado ao chão a mercê dos ratos
Carne podre que desmancha a alma
-Maldito corpo que cede a seus gastos!
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