terça-feira, 24 de julho de 2012

Praticando o desapego


Praticar o desapego é mera ilusão
É o ouro-de-tolo do coração.
De que adianta afinal esquecer
Tudo aquilo que foi vivido?

As lembranças no limbo a corroer
E perder tudo de outrora aprendido.

Não, exatamente todos os meus amores
Ainda vivem a habitar meu coração.
Com eles aprendi a viver sem rancores
São águas calmas conciliadas à paixão.

E se algum dia pelo desapego eu perecer,
Minha vida, junto as lembranças irá morrer.

sexta-feira, 15 de junho de 2012


De volta do mundo dos mortos
Onde pereci, no limbo do esquecimento
Sem palavras ou devaneios tortos
Onde foram parar tantos momentos
Palavras, frases, rios de orgulho
Afogados no vazio junto aos sentimentos

Pobre alma desperta sem entendimento
Novamente os dias passam a urgir
Não é o vazio, nem tudo é o esquecimento
Esta alma ainda pode sentir...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Dia dos Namorados


Amor, meu grande amor...
Amo-te mais que o sol a lua
Cantando o seu belo louvor
Amo-te mais que a beleza nua

Muito mais que a carne de seus lábios
Ou minhas mãos tocando seu semblante
Nossos corpos unos, sábios
Sua pele, minha perfeita amante

Sua bela voz em minha mente
Cantando, melodias explodindo
E com sangue em mãos contente
Do corpo que jaz exaurido

Não, amo-te ainda mais!
Não é apenas mera carne pútrida
Não são ossos de animais

Meu amor jaz em seu leito vazio
Mesmo que não tenha partido
Agora é preenchido

Em nossa núpcia de madeira
Tudo mais se prepara
Para sempre noite sorrateira
Nem mesmo a morte nos separa

Atrasado mas tudo bem...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Prisão

Hoje percebi que estava em uma prisão de vidro
E as paredes embaçavam a cada respiração
E sempre a mesma imagem no fosco refletida
Não é rosto, mas o seu com toda descrição

E por mais distorcido que seja o espelho
O que sempre via era seu sorriso torto
Meros reflexos da imagem do coelho
Sempre correndo atras do tempo morto

Um dia vi outra luz em meu semblante
E com o susto quebrei-o em mil partes
E meus olhos doeram por um instante
E a verdade se revelou como uma arte

E através dos espelhos quebrados eu percebi
Que você nunca esteve ali...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

100

-Oi?
-Oi!
-Ah é você... Mas você não havia morrido?
-Eu? Quando? Quem disse?
-É que pra mim você está morta
silêncio
-Isso... isso é verdade?
mais silêncio
-Não, não é verdade. O fato é que você nunca morreu para mim. Nunca sequer um dia deixei de pensar em você... mesmo dizendo tudo que disse, mesmo que demonstrasse o contrário nunca deixei de amá-la e agora acontece que cansei de esconder tal verdade.
silencio

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

The Black Cigarette

Já teve um sonho tão intenso que parecia ser real...
E quando despertou desejou morrer enquanto sonhava?
Um paraíso de ilusões...

Eu sei que foi real, eu pude sentir
Sua voz dizendo meu nome novamente
E por caminhos tortos nossas mãos a se unir
Nossos lábios se tocarem inconsequentes

Foi apenas seu cheiro que não senti
até quando nossos lábios se distanciaram
Não precisava lembrar pois jamais esqueci
Nem as lembranças se queimaram

Nem esvaeceram-se na fumaça
De um cigarro tortuoso no ar
Também não perderam sua graça
Pois a cabeça nunca deixou de te amar

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Memórias

Vejo seu rosto tão perto
e sempre distante...
Posso sentir em seu hálito
lembranças disfórmicas
E me retorna aquele instante
sua face, seu toque, um beijo...
Faz-me o espírito inadmissível
talvez até um som inaudível
Mas que ecoa em cada fibra
da molécula de meu ser
E seu rosto novamente
opaco e intangível...
Eu sou um fantasma descontente

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

My darling...
How I miss you
You are my love
My life
My queen
My kingdom
You are mine...
Always and never

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sem face

Eu sou a sombra de um rosto sem face
E não existe nenhuma expressão
No semblante de quem não nasce
Não há bondade no peito vazio
Nada bate, não existe coração
E a alma errante de um vadio
Eremita de seus próprios sentimentos
Foge aos prantos de sua existência
Mas jamais esqueces da paixão

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Solitude

Um sol negro aparece entre as nuvens do horizonte
Anunciando o presságio do mais assombroso dos dias
E as lembranças amargas retornam a fronte...
Perdoe-me milady por tudo
-pois mesmo se me perdoar...
Jamais perdoarei meu erro moribundo
Hei de algum dia deixar de chorar

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O Jardim

Não havia mais flores naquele jardim
Apenas um vento gélido ali reinava
Os sentimentos tiveram o mesmo fim
Não existia o tempo, ali ele não parava

E nas mãos frias sentia um toque gélido
Uma carcaça, decomposição de uma flor
E sobre um suspiro lembra-se trepido
Neste coração um dia já reinou o amor

Neste chão que nem rosas mais florescem
Sentimento nascido em terra burial
Não há mais sol onde as flores alvorecem
E no peito vazio bate algo superficial

E na terra pelos homens esquecida
Não existem lágrimas de uma partida

Existem apenas doces amargas lembranças
De uma vida que nunca fora vivida

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Quem me dera...

Quem me dera poder ter tudo de volta...
Os dias,
as lembranças,
os risos,
a felicidade,
o amor...
Onde foi que deixei tudo isso? Onde foi que me perdi?
Quem me dera acordar um dia
e ver que foi tudo um pesadelo
Quem me dera despertar e ver tudo em seu lugar

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Deusa de Plástico

Deusa de plástico, beleza encantadora
Seu olhar firme e profundo ilumina orações
E sua pele alva de amor fornecedora
Por onde caminha, oh Deusa, arranca corações

Mas qual é a cor por baixo do plástico de seu olhar?
O que há de se esconder atrás de tamanha beleza?
Oh Deus, a chuva pode solver-lhe ao tocar?
Se é que existe alguém por trás da sutileza...

E o vento ao tocar seus cabelos dançantes
Uma dança falsa e hipnotizadora...
Enquanto durar sua beleza estonteante
E refazer em sua pele, sua beleza inspiradora.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Divino Inferno

Ouço falar em Deus o dia inteiro
Mas vivo em um inferno traiçoeiro
Onde está a resposta prometida?
Onde existe a vida garantida?

E veja meu silêncio displicente...
Mais alto que qualquer grito estridente
Quando esta busca irá terminar?
Sonho com a paz, se ela retornar...

Vivo sob uma tortura de orações...
Vivo uma vida de lamentações
Vivendo sonhos que já não são meus
Pacientemente aguardando o dia do adeus...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Memento

Memórias agridoces pairam com fulgor
Foram dias que realmente existiram?
Irá à felicidade para subjugar esta dor?
Por onde seus turvos passos caminham?

Tenho tantas perguntas sem respostas...
Tantos desejos, tantas palavras a serem ditas
E do fim do ciclo, onde está sua proposta?
O desejo ainda deseja, diga, não mintas...

Memórias agridoces respiram seu ardor
E se algum dia essa chama se apagar...
Se tal gosto perder seu peculiar sabor
Tenha certeza: - Eis que há um coração a parar!

Daí não existirá mais rimas para compor
Não haverá mais versos para escrever

Canções escritas por vozes em vão
Um pobre tolo buscando sua redenção

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Rigor Mortis

E agora que a canção terminou?
É inevitável chocar-se com o silêncio
Confrontar com a consciência que cegou
A besta que criou seu compêndio

E a sabedoria do acaso se cessou
A fronte, lágrimas banham o chão
O sangue derramado já secou
Mas de que adianda
se não bate mais um coração?

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Turva Linha Reta

Caminho em passos certos por destinos incertos
E o chão onde era firme e rijo torna-se lama
Onde estarei eu? Já não me vejo mais por perto
Tão pouco vejo laços no cabelo da dama

E assim os dias passam, as noites vêm e vão
E a apatia ao meu lado, fito-a se quer saber
E os olhos displicentes procuram pelo perdão
E as noites senhorita, passo-as a beber

Sem as doses do conhaque e os seios da morena
O que mais há de se restar? Eis que queira saber...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sexta Feira Treze

Era madrugada, não sabia se dormia
Podia ser sonhos lúcidos o imaginação
Na calada da noite claramente a via
E como pesadelo eu corria sem direção

Da parede via escorrer sangue viscoso
Ouvia zombarias e gritos estridentes
E no peito me batia o coração rançoso
Onde estaria a dama de lábios contentes?

Caminhava por rios de águas cortantes
E na bruma da noite, leitos solitários
Era assombrado por vôos rasantes
E também por espíritos bicentenários

Eis que pude senti-la em seu calor confortante
Seus lábios me tocaram, sua voz era revigorante

Com olhos em prantos, percebi logo em tese
E com sorriso ela dizia – feliz sexta feira treze.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Eu odeio

Eu odeio a forma que me olham
Olhos nunca são o bastante
Olham-me, mas não me enxergam
A glória sempre fica distante

Eu odeio a forma que me tratam
Além de não me ver
Não sou imagem ou espelho deformado
Não, querem me fazer crer...

Às vezes queria encontrar minha caverna
Meu cubículo invólucro protetor
Talvez assim conseguiria me encontrar

Odeio todos esses vermes
Suas brigas ignóbeis e lamacentas
E o cerne de suas peles exposta
Até suas entranhas buscam encrenca

Odeio as glórias das reminiscências
E o passado, a vitória fugaz...
Odeio esta alma perdida sem essência
E ter que olhar para trás

Odeio procurar a paixão
Mesmo sabendo onde ela está
E deixá-la me procurar...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Chuva

O céu tremeu diante de meus pés
Enquanto delirava admirando seu olhar
Começou no mais memorável revés
Mais do que nunca agora posso amar

Mesmo com o céu a cair em minha cabeça
E meus pés molhados pisando no chão
Toda a chuva que caí do céu é gota
Comparada ao júbilo de meu coração

E nada irá impedir que o futuro aconteça
Pela primeira vez pude sentir seu perfume
Olhar de perto em seus olhos antes que eu pereça
E mesmo que pouco, de seu corpo o ardume

E em meio a palavras e sorrisos sinceros
Mesmo que por um instante o mundo parou
Nas águas da chuva, na simetria do singelo
Foi no mesmo momento em que tudo retornou

terça-feira, 15 de março de 2011

O Chamado

Sussuram-me os ventos das lembranças
No frio e solitário leito
No desejo da mudança
Terá o ciclo mudado seu jeito?

As lembranças permanecem
O desejo ainda deseja
Sentimentos remanescem
Talvez tudo esteja...

Seria tarde para desculpas?
Ou a noite de monólogos intermináveis?
Será este o sentimento que usurpa?
Ou apenas somos seres lamentáveis?

Tantas perguntas,
Tão poucas respostas
E na mesa: dois ases e a permuta
Esta será minha última aposta

Eu sei que ainda me lê
No blefe da jogada
Na noite alucinada
Sabe das palavras para você

Mosca

Diário do Dr. Fleubermann Paciente nº 003764 Curioso e peculiar o caso deste paciente em específico. Ainda me lembro bem da primeir...