Vazio incongruente
A alma que se dizia
Vazia, demente...
O rosto que sempre sorria
Era incapaz de amar
Mas seus olhos ainda brilhavam
Já não podia voltar
No tempo onde se matavam
Já se foi a era
Dos cigarros e tentações
O passado é uma quimera
São meras recordações
E o futuro displicente...
Arquitetará um rosto contente?
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Um conto...
Lembro-me até hoje, de quando eu era criança e ia com minha família para a roça de meu avô. Nessa época, eu tinha cerca de 13 anos e minha família era muito unida, e como tenho muitos tios, também tenho muitos primos, quase todos da mesma idade, deixando a casa sempre cheia. Para chegarmos na, passávamos por uma pequena cidade chamada Carmo do Cajuru, e depois entrávamos em uma espécie de comunidade rural que na verdade eu nunca soube seu verdadeiro nome, mas que sempre foi por mim conhecido como Ribeiro. Depois que saíamos da cidade, que era metade do caminho para a roça, andávamos cerca de 10km pelo Ribeiro até chegar na propriedade de meu avô. Mais ou menos na metade deste caminho havia uma propriedade onde tinha apenas uma pequena casa, meu pai sempre dizia que aquilo um dia foi uma escola que pegou fogo, e sempre ao lado da pequena casinha vazia havia um cavalo, todas às vezes era a mesma cena.
Houve uma vez em que eu e meus primos queríamos ir até esta casa, apenas por questão de curiosidade, pois sabíamos que nossos pais muitas vezes contavam histórias mentirosas quando não sabiam de algo, apenas para nos assustar ou para não ter que explicar muito. Quando mencionamos para nossos pais que iríamos a casa, fomos repreendidos e xingados, como se estivéssemos fazendo alguma coisa realmente errada ou perigosa, o que apenas aumentou nossa vontade de conhecer a tal casa. Como não podíamos ir enquanto estava cedo, eu e mais 2 primos fomos até a lagoa que tinha na parte de baixo da roça para nadar e aproveitamos para bolar um plano de como iríamos até a casa.
Passaram-se algumas horas e tudo ficou decidido: não demonstraríamos mais interesse na casa já que nada adiantaria, mas decidimos ir escondidos ao entardecer logo após o churrasco que nossos pais iriam fazer, já que sempre ficavam bêbados e a partir daí seria mais fácil e para encobrir nossas pistas resolvemos não contar nada para nossos outros irmãos e primos, ninguém saberia aonde iríamos.
O restante do dia foi uma agonizante espera, até que finalmente, por volta das 18:00 quase todos estavam apagados ou ocupados demais jogando baralho para perceberem ou perguntarem alguma coisa. Fomos até o quarto para procurarmos três lanternas, mas encontramos apenas duas, e como meu pai estava apagado neste quarto, resolvemos não prolongar muito nossa busca. Saímos dando a volta por trás da casa para evitar suspeitas ou perguntas que poderiam nos entregar, e realmente ninguém nos viu.
Nossa ida até a casa foi bem tranqüila, estava entardecendo e tínhamos sempre uma bela visão de uma floresta, as vezes víamos alguma casa ou passava algum carro. Depois de cerca de uma hora de viagem, já estava um pouco escuro, mas ainda não precisávamos das lanternas; estávamos no alto de um morro e lá em baixo, no pé do morro podíamos ver a tal escola que para nossa surpresa estava com um lampião aceso do lado de fora. Ao ver meu primo cutucou meu braço e disse “ta vendo, mora gente lá, mas vamos descer e ver quem mora, depois a gente conta pros outros.”
Quando chegamos à metade do morro, luz se apagou, mas como estávamos determinados em nossa jornada, continuamos o caminho. Ao terminar de descer, já estava escuro e um pouco frio, pois ali perto tinha um córrego, mas achamos melhor não ligar as lanternas por enquanto. Assim que paramos em frente a casa eu reparei algo peculiar: o terreno parecia bem pequeno, cerca de 15x15 metros e ele era totalmente cercado por arame, não tinha nenhuma entrada nele, e nenhum sinal de vida também, nem mesmo o cavalo estava lá, mas onde costumava ficar eu vi que não havia mato no chão e um pequeno toco preto, quase invisível na noite, queimado. Nos terrenos do lado o mato em volta da casa era grande, apenas nela era bem pequeno e curto, parecia que era aparado. Passar por debaixo da cerca velha não foi nenhum desafio para mim ou para meus primos e assim que pisamos naquela propriedade estranha eu senti uma brisa mais forte, e lá o chão era mais duro até mesmo que a estrada de terra onde sempre passavam carros e carroças.
Caminhamos em fila indiana ao redor da pequena casa, que tinha apenas uma única janela sem vidros e na parte de trás, escondida havia uma carruagem bem velha, primeiro pensei que o cavalo a puxava, mas logo percebi que estava estragada, os bancos estavam pela metade, a madeira estava podre e dificilmente agüentaria o peso de uma pessoa e suas rodas estavam tão enferrujadas e sujas que se alguém tentasse mover a carruagem as rodas ficariam totalmente imóveis, e ela parecia estar a tanto tempo parada que suas rodas de ferro estavam afundadas no chão cerca de 5 cm.
Depois desta rápida exploração tomamos coragem e chegamos a porta da casa. Ela era azul e rústica, com a tintura caindo aos pedaços em alguns lugares, não havia porta e o chão estava todo empoeirado e como não havia nenhum sinal de vida, resolvemos ligar as lanternas. Para nossa surpresa, a casa estava totalmente vazia, sem nenhum móvel, e nenhuma marca de presença humana. Dentro desta casa havia apenas dois cômodos em um deles, o principal havia o que um dia foi um quadro negro, com metade queimado, deste lado da sala o teto e as paredes também estavam todos pretos, quase em cinzas, o que se estendia até o outro cômodo onde aparentemente o incêndio destruiu tudo inclusive o teto da pequena escola.
Estávamos entretidos quando reparamos uma forte luz do lado de fora como se fosse uma lanterna bem forte. Tamanho foi o susto que saímos correndo para o lado de fora da casa, mas não vimos absolutamente nada lá. Um de meus primos se apavorou e logo saiu da propriedade com uma das lanternas e disse para irmos logo embora enquanto ligava sua lanterna e subia o morro. Eu e meu outro primo vimos algo que nos chamou atenção antes de subirmos, havia algo estranho naquele toco em cinzas bem no meio do terreno, onde não havia grama em volta, ele parecia estar estalando. Chegamos perto cautelosamente e percebemos que ele estava não só estalando, mas também estava quente em volta dele. Neste momento eu senti um arrepio em todo meu corpo e comecei a tremer, se antes não estava com medo a partir daquele momento eu estava totalmente apavorado, foi aí que vimos uma luz de uma lanterna dentro da casa e o vulto de alguém atrás. Fiquei olhando pensando ser meu outro primo, mas de repente vi meu primo que estava comigo dar passos para trás pálido como um fantasma, foi aí que reparei que não era meu primo lá, porque eu o via na metade do morro com sua lanterna acesa.
Saímos correndo de lá o mais rápido possível e quando estávamos correndo passei ao lado do toco sem perceber. Subimos o morro correndo com todas as nossas forças e quando já não víamos mais a casa nós paramos, apontei a lanterna para meu pé e vi que estava vermelho como se estivesse perto do fogo e um pequeno pedaço de meu tênis estava derretido. Meus primos assustados foram correndo para o rumo da roça, eu antes de correr dei uma olhada para a casa no pé do morro e vi uma centelha de fogo se apagando. Apavorado, corri para junto de meus primos e sequer toquei no assunto.
Durante todo o caminho de volta para a roça, estávamos assustados e correndo, mas ainda assim suávamos frio, algo parecia estar atrás de nós, embora olhávamos frequentemente para trás não víamos nada, o tempo todo nós ouvíamos barulhos de cascos de um cavalo galopando rapidamente mas nunca o vimos, apenas durante um instante pensei ter visto um vulto branco bem distante que me lembrou o cavalo que sempre via na propriedade.
Quando finalmente chegamos na roça, já passavam das 9 da noite e estávamos mais calmos. Descemos o caminho para a casa mais tranqüilos e a estranha sensação passou, mas por dúvida eu olhei para trás e vi uma pequena luz passando, meu primo disse ser um carro, apesar de não termos ouvido nada, mas mesmo assim consegui convencê-lo a subir e ver. O chão estava quente e não havia nada na estrada, apenas um rastro muito longo que nenhum de nós nunca havia reparado antes, de cerca de 5 cm de profundidade, comentei com meu primo que esse buraco parecia com aquele perto das rodas da carruagem na casa, subitamente meu primo me olhou com uma cara estranha e perguntou “Mas que carruagem? Não tinha nada naquela casa.” Na hora percebi que fiquei tão branco quanto ele ao ver o vulto dentro da casa, e sem falar nada apenas desci para a nossa casa na roça. Depois daquele dia combinamos de nunca mais falar sobre o que aconteceu e ninguém jamais soube desta história.
Semana passada fui a roça de meu avô, que agora é de um tio meu, fui com minha namorada e um casal de amigos meus, iríamos acampar. Faz mais de 10 anos que isto aconteceu, muita coisa mudou no caminho do Ribeiro até a roça, mas a estranha escola que pegou fogo continua lá, parada no tempo e seu cavalo também, sei que ele me olhou e me reconheceu quando passei de carro olhando para a casa, eu senti isso. Isso e um calafrio que nunca mais vou esquecer ao ver a velha carruagem no mesmo lugar e dois rastros de rodas que saem exatamente das rodas dela e, embora um pouco apagados pelo tempo, passam exatamente na porta da propriedade da roça.
Houve uma vez em que eu e meus primos queríamos ir até esta casa, apenas por questão de curiosidade, pois sabíamos que nossos pais muitas vezes contavam histórias mentirosas quando não sabiam de algo, apenas para nos assustar ou para não ter que explicar muito. Quando mencionamos para nossos pais que iríamos a casa, fomos repreendidos e xingados, como se estivéssemos fazendo alguma coisa realmente errada ou perigosa, o que apenas aumentou nossa vontade de conhecer a tal casa. Como não podíamos ir enquanto estava cedo, eu e mais 2 primos fomos até a lagoa que tinha na parte de baixo da roça para nadar e aproveitamos para bolar um plano de como iríamos até a casa.
Passaram-se algumas horas e tudo ficou decidido: não demonstraríamos mais interesse na casa já que nada adiantaria, mas decidimos ir escondidos ao entardecer logo após o churrasco que nossos pais iriam fazer, já que sempre ficavam bêbados e a partir daí seria mais fácil e para encobrir nossas pistas resolvemos não contar nada para nossos outros irmãos e primos, ninguém saberia aonde iríamos.
O restante do dia foi uma agonizante espera, até que finalmente, por volta das 18:00 quase todos estavam apagados ou ocupados demais jogando baralho para perceberem ou perguntarem alguma coisa. Fomos até o quarto para procurarmos três lanternas, mas encontramos apenas duas, e como meu pai estava apagado neste quarto, resolvemos não prolongar muito nossa busca. Saímos dando a volta por trás da casa para evitar suspeitas ou perguntas que poderiam nos entregar, e realmente ninguém nos viu.
Nossa ida até a casa foi bem tranqüila, estava entardecendo e tínhamos sempre uma bela visão de uma floresta, as vezes víamos alguma casa ou passava algum carro. Depois de cerca de uma hora de viagem, já estava um pouco escuro, mas ainda não precisávamos das lanternas; estávamos no alto de um morro e lá em baixo, no pé do morro podíamos ver a tal escola que para nossa surpresa estava com um lampião aceso do lado de fora. Ao ver meu primo cutucou meu braço e disse “ta vendo, mora gente lá, mas vamos descer e ver quem mora, depois a gente conta pros outros.”
Quando chegamos à metade do morro, luz se apagou, mas como estávamos determinados em nossa jornada, continuamos o caminho. Ao terminar de descer, já estava escuro e um pouco frio, pois ali perto tinha um córrego, mas achamos melhor não ligar as lanternas por enquanto. Assim que paramos em frente a casa eu reparei algo peculiar: o terreno parecia bem pequeno, cerca de 15x15 metros e ele era totalmente cercado por arame, não tinha nenhuma entrada nele, e nenhum sinal de vida também, nem mesmo o cavalo estava lá, mas onde costumava ficar eu vi que não havia mato no chão e um pequeno toco preto, quase invisível na noite, queimado. Nos terrenos do lado o mato em volta da casa era grande, apenas nela era bem pequeno e curto, parecia que era aparado. Passar por debaixo da cerca velha não foi nenhum desafio para mim ou para meus primos e assim que pisamos naquela propriedade estranha eu senti uma brisa mais forte, e lá o chão era mais duro até mesmo que a estrada de terra onde sempre passavam carros e carroças.
Caminhamos em fila indiana ao redor da pequena casa, que tinha apenas uma única janela sem vidros e na parte de trás, escondida havia uma carruagem bem velha, primeiro pensei que o cavalo a puxava, mas logo percebi que estava estragada, os bancos estavam pela metade, a madeira estava podre e dificilmente agüentaria o peso de uma pessoa e suas rodas estavam tão enferrujadas e sujas que se alguém tentasse mover a carruagem as rodas ficariam totalmente imóveis, e ela parecia estar a tanto tempo parada que suas rodas de ferro estavam afundadas no chão cerca de 5 cm.
Depois desta rápida exploração tomamos coragem e chegamos a porta da casa. Ela era azul e rústica, com a tintura caindo aos pedaços em alguns lugares, não havia porta e o chão estava todo empoeirado e como não havia nenhum sinal de vida, resolvemos ligar as lanternas. Para nossa surpresa, a casa estava totalmente vazia, sem nenhum móvel, e nenhuma marca de presença humana. Dentro desta casa havia apenas dois cômodos em um deles, o principal havia o que um dia foi um quadro negro, com metade queimado, deste lado da sala o teto e as paredes também estavam todos pretos, quase em cinzas, o que se estendia até o outro cômodo onde aparentemente o incêndio destruiu tudo inclusive o teto da pequena escola.
Estávamos entretidos quando reparamos uma forte luz do lado de fora como se fosse uma lanterna bem forte. Tamanho foi o susto que saímos correndo para o lado de fora da casa, mas não vimos absolutamente nada lá. Um de meus primos se apavorou e logo saiu da propriedade com uma das lanternas e disse para irmos logo embora enquanto ligava sua lanterna e subia o morro. Eu e meu outro primo vimos algo que nos chamou atenção antes de subirmos, havia algo estranho naquele toco em cinzas bem no meio do terreno, onde não havia grama em volta, ele parecia estar estalando. Chegamos perto cautelosamente e percebemos que ele estava não só estalando, mas também estava quente em volta dele. Neste momento eu senti um arrepio em todo meu corpo e comecei a tremer, se antes não estava com medo a partir daquele momento eu estava totalmente apavorado, foi aí que vimos uma luz de uma lanterna dentro da casa e o vulto de alguém atrás. Fiquei olhando pensando ser meu outro primo, mas de repente vi meu primo que estava comigo dar passos para trás pálido como um fantasma, foi aí que reparei que não era meu primo lá, porque eu o via na metade do morro com sua lanterna acesa.
Saímos correndo de lá o mais rápido possível e quando estávamos correndo passei ao lado do toco sem perceber. Subimos o morro correndo com todas as nossas forças e quando já não víamos mais a casa nós paramos, apontei a lanterna para meu pé e vi que estava vermelho como se estivesse perto do fogo e um pequeno pedaço de meu tênis estava derretido. Meus primos assustados foram correndo para o rumo da roça, eu antes de correr dei uma olhada para a casa no pé do morro e vi uma centelha de fogo se apagando. Apavorado, corri para junto de meus primos e sequer toquei no assunto.
Durante todo o caminho de volta para a roça, estávamos assustados e correndo, mas ainda assim suávamos frio, algo parecia estar atrás de nós, embora olhávamos frequentemente para trás não víamos nada, o tempo todo nós ouvíamos barulhos de cascos de um cavalo galopando rapidamente mas nunca o vimos, apenas durante um instante pensei ter visto um vulto branco bem distante que me lembrou o cavalo que sempre via na propriedade.
Quando finalmente chegamos na roça, já passavam das 9 da noite e estávamos mais calmos. Descemos o caminho para a casa mais tranqüilos e a estranha sensação passou, mas por dúvida eu olhei para trás e vi uma pequena luz passando, meu primo disse ser um carro, apesar de não termos ouvido nada, mas mesmo assim consegui convencê-lo a subir e ver. O chão estava quente e não havia nada na estrada, apenas um rastro muito longo que nenhum de nós nunca havia reparado antes, de cerca de 5 cm de profundidade, comentei com meu primo que esse buraco parecia com aquele perto das rodas da carruagem na casa, subitamente meu primo me olhou com uma cara estranha e perguntou “Mas que carruagem? Não tinha nada naquela casa.” Na hora percebi que fiquei tão branco quanto ele ao ver o vulto dentro da casa, e sem falar nada apenas desci para a nossa casa na roça. Depois daquele dia combinamos de nunca mais falar sobre o que aconteceu e ninguém jamais soube desta história.
Semana passada fui a roça de meu avô, que agora é de um tio meu, fui com minha namorada e um casal de amigos meus, iríamos acampar. Faz mais de 10 anos que isto aconteceu, muita coisa mudou no caminho do Ribeiro até a roça, mas a estranha escola que pegou fogo continua lá, parada no tempo e seu cavalo também, sei que ele me olhou e me reconheceu quando passei de carro olhando para a casa, eu senti isso. Isso e um calafrio que nunca mais vou esquecer ao ver a velha carruagem no mesmo lugar e dois rastros de rodas que saem exatamente das rodas dela e, embora um pouco apagados pelo tempo, passam exatamente na porta da propriedade da roça.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Indivisível Humano
A carne podre sobre meus dedos
Arranca e dilacera minh’alma
O cerne que expõe meus medos
Retifica o ignóbil em minha palma
Anjo puro n’outrora com rigor
Cai cedido as tenras exceções
E em seu mais árduo furor
Partilha no corpo suas tentações
-Paraíso, cai em minhas mãos!
de um grito rouco se ecoando
Esvai-se entre os dedos até o chão
A liberdade em suas asas voando
E o paraíso se perdeu numa esquina qualquer
Jogado em seu canto esculhambado, maltrapido
Destituído de seu encanto ou seu valor sequer
Jogado ao chão a mercê dos ratos
Carne podre que desmancha a alma
-Maldito corpo que cede a seus gastos!
Arranca e dilacera minh’alma
O cerne que expõe meus medos
Retifica o ignóbil em minha palma
Anjo puro n’outrora com rigor
Cai cedido as tenras exceções
E em seu mais árduo furor
Partilha no corpo suas tentações
-Paraíso, cai em minhas mãos!
de um grito rouco se ecoando
Esvai-se entre os dedos até o chão
A liberdade em suas asas voando
E o paraíso se perdeu numa esquina qualquer
Jogado em seu canto esculhambado, maltrapido
Destituído de seu encanto ou seu valor sequer
Jogado ao chão a mercê dos ratos
Carne podre que desmancha a alma
-Maldito corpo que cede a seus gastos!
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
As Horas
Passam-se as horas...
Os dias vazios e sem sentido
Passa a vida, tudo passa
Enquanto o relógio está mentindo
E eu fico aqui sentado
Sentado todos os dias, às vezes de pé
Vejo as horas vendo a vida passar
Como um orador que reza sem fé
Não faço nada, não mato o tempo
O tempo é que me mata lentamente
Doce ignóbil veneno...
Vivo meus dias displicentemente
O tempo passa...
E mata a vida contente
Enquanto derrama a última gota
De minha sanidade latente
Os dias vazios e sem sentido
Passa a vida, tudo passa
Enquanto o relógio está mentindo
E eu fico aqui sentado
Sentado todos os dias, às vezes de pé
Vejo as horas vendo a vida passar
Como um orador que reza sem fé
Não faço nada, não mato o tempo
O tempo é que me mata lentamente
Doce ignóbil veneno...
Vivo meus dias displicentemente
O tempo passa...
E mata a vida contente
Enquanto derrama a última gota
De minha sanidade latente
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Hoje outra homenagem
Este texto é uma homenagem que faço para o primeiro soneto de Álvares de Azevedo que eu li na vida. Todo primeiro verso de cada estrofe está igual ao texto de Álvares, as terminações das rimas também são as mesmas, algumas até as mesmas palavras. Porém a 'ordem' das rimas está diferente: no soneto de Álvares as rimas estão em 1212, 1221, 121, 121; e no meu estão 1122, 1122, 121, 121. O soneto de Ávares de Azevedo se chama Pálida à luz, o mesmo nome que leva meu soneto.
Pálida à luz
Pálida à luz da lâmpada sombria
Sobre o cântico luar ela sorria
Em seu leito floral jazia reclinada
Como era bela a minha amada!
Era a virgem do mar, na escuma fria
Nas marés de amor que ela trazia
E o seu toque, sua voz embalada...
É o meu anjo guardião d’alvorada!
Era mais bela! O seio palpitando
E como o vinho, o sangue esvaindo
Formas nuas e sombrias dançando
Não rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – noites eu velei em sonetos
Por ti – em meus sonhos morrerei sorrindo
Pálida à luz
Pálida à luz da lâmpada sombria
Sobre o cântico luar ela sorria
Em seu leito floral jazia reclinada
Como era bela a minha amada!
Era a virgem do mar, na escuma fria
Nas marés de amor que ela trazia
E o seu toque, sua voz embalada...
É o meu anjo guardião d’alvorada!
Era mais bela! O seio palpitando
E como o vinho, o sangue esvaindo
Formas nuas e sombrias dançando
Não rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – noites eu velei em sonetos
Por ti – em meus sonhos morrerei sorrindo
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Fotografias
Se meus olhos tirassem fotos
Eu veria a essência da imagem
Não veria somente os corpos
Entediados e sem margem
Veria a onda de som se propagar
O vento em minha face a sorrir
Uma gota de chuva poderia pegar
Assim eu jamais teria que partir
Pararia o tempo por um momento
Eu viveria em um eterno instante
Eu guardaria o seu olhar sonolento
E nada nunca mais seria distante
Se com os olhos pudesse fotografar...
A fumaça caminhando lenta no ar
A saudade antes mesmo de se formar
Se com os olhos eu pudesse capturar
A essência da beleza para chorar
Meus olhos não parariam de te olhar
Eu veria a essência da imagem
Não veria somente os corpos
Entediados e sem margem
Veria a onda de som se propagar
O vento em minha face a sorrir
Uma gota de chuva poderia pegar
Assim eu jamais teria que partir
Pararia o tempo por um momento
Eu viveria em um eterno instante
Eu guardaria o seu olhar sonolento
E nada nunca mais seria distante
Se com os olhos pudesse fotografar...
A fumaça caminhando lenta no ar
A saudade antes mesmo de se formar
Se com os olhos eu pudesse capturar
A essência da beleza para chorar
Meus olhos não parariam de te olhar
sábado, 28 de agosto de 2010
O Perfume
Caminho por ruas incolores
Sinto um ar gélido e pesado
Pairando no mundo sem amores
Não há cheiro, mundo estagnado
Eis que meu pulmão se inflama
Pairando no ar vejo uma centelha
E em meus olhos vejo sua chama
-Preciso tê-la de qualquer maneira!
Procuro então por esta cor lasciva
Pelos lábios doces que não beijei
Procuro por este mundo impassivo
Desejo o perfume que nunca cheirei
Desejo apenas o fulgor de sua pele
A ardente pulsão em minhas mãos
Desejo que nada seja como de costume
Eu quero apenas o seu perfume
Sinto um ar gélido e pesado
Pairando no mundo sem amores
Não há cheiro, mundo estagnado
Eis que meu pulmão se inflama
Pairando no ar vejo uma centelha
E em meus olhos vejo sua chama
-Preciso tê-la de qualquer maneira!
Procuro então por esta cor lasciva
Pelos lábios doces que não beijei
Procuro por este mundo impassivo
Desejo o perfume que nunca cheirei
Desejo apenas o fulgor de sua pele
A ardente pulsão em minhas mãos
Desejo que nada seja como de costume
Eu quero apenas o seu perfume
sábado, 7 de agosto de 2010
Rosto sem Face
Sentado sozinho
Na frente de um espelho
Ocultando meu reflexo
Meu sorriso perverso.
Os olhos já se foram
Nem lembranças deixaram.
Restou o vazio
Escrito em um verso.
Os meus sonhos foram roubados
Antes que eu pudesse acordar
E os desejos foram mortos
Antes que pudessem sonhar.
Um espelho sem imagem,
Vidro estilhaçado.
E agora o que me resta?
Não há nada a se olhar.
Na frente de um espelho
Ocultando meu reflexo
Meu sorriso perverso.
Os olhos já se foram
Nem lembranças deixaram.
Restou o vazio
Escrito em um verso.
Os meus sonhos foram roubados
Antes que eu pudesse acordar
E os desejos foram mortos
Antes que pudessem sonhar.
Um espelho sem imagem,
Vidro estilhaçado.
E agora o que me resta?
Não há nada a se olhar.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
O Momento
Ignóbil esse sentimento de vazio
Há dias estagnado em meu coração
Carrega em si a nobreza de um vadio
E nada me varre a indesejavel solidão
Não foi obra do acaso, foi o momento
Tentei segura-lo, agarra-lo com as mãos
Eu vi que não se pode segurar o tempo
É algo intangível, frio e sem pulsão
Tentei me apegar a uma lembrança
Tentei imortalizar o que nasce para morrer
Nasce e morre, não é como uma balança
O instante morre antes mesmo de nascer
Não se pode contê-lo, ele deixaria de ser
A beleza do instante é vê-lo perecer
Pegá-lo deixaria o coração vazio
Apenas aprecie a essência do ser
Não se deve segurar um rio
Seja o momento até ele perecer
Anderson Marques Mileib
Há dias estagnado em meu coração
Carrega em si a nobreza de um vadio
E nada me varre a indesejavel solidão
Não foi obra do acaso, foi o momento
Tentei segura-lo, agarra-lo com as mãos
Eu vi que não se pode segurar o tempo
É algo intangível, frio e sem pulsão
Tentei me apegar a uma lembrança
Tentei imortalizar o que nasce para morrer
Nasce e morre, não é como uma balança
O instante morre antes mesmo de nascer
Não se pode contê-lo, ele deixaria de ser
A beleza do instante é vê-lo perecer
Pegá-lo deixaria o coração vazio
Apenas aprecie a essência do ser
Não se deve segurar um rio
Seja o momento até ele perecer
Anderson Marques Mileib
terça-feira, 13 de julho de 2010
Dia Mundial do Rock
Sua historinha:
Em 13 de julho de 1985, Bob Geldof organizou o Live Aid, um show simultâneo em Londres na Inglaterra e na Filadélfia nos Estados Unidos. O objetivo principal era o fim da fome na Etiópia e contou com a presença de artistas como The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Sting, U2, Paul McCartney, Phil Collins (que tocou nos dois lugares), Eric Clapton e Black Sabbath.
Foi transmitido ao vivo pela BBC para diversos países e abriu os olhos do mundo para a miséria no continente africano. 20 anos depois, em 2005, Bob Geldof organizou o Live 8 como uma nova edição, com estrutura maior e shows em mais países com o objetivo de pressionar os líderes do G8 para perdoar a dívida externa dos países mais pobres erradicar a miséria do mundo.
Desde então o dia 13 de julho passou a ser conhecido como Dia Mundial do Rock
Ctrl+c ctrl+v de nossa amiga wikipedia
Em 13 de julho de 1985, Bob Geldof organizou o Live Aid, um show simultâneo em Londres na Inglaterra e na Filadélfia nos Estados Unidos. O objetivo principal era o fim da fome na Etiópia e contou com a presença de artistas como The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Sting, U2, Paul McCartney, Phil Collins (que tocou nos dois lugares), Eric Clapton e Black Sabbath.
Foi transmitido ao vivo pela BBC para diversos países e abriu os olhos do mundo para a miséria no continente africano. 20 anos depois, em 2005, Bob Geldof organizou o Live 8 como uma nova edição, com estrutura maior e shows em mais países com o objetivo de pressionar os líderes do G8 para perdoar a dívida externa dos países mais pobres erradicar a miséria do mundo.
Desde então o dia 13 de julho passou a ser conhecido como Dia Mundial do Rock
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domingo, 11 de julho de 2010
Voltando...
Em breve novas postagens, depois de um tempo ausente.
"É preciso escrever ao correr da pena; sem escolher palavras" Sartre
"É preciso escrever ao correr da pena; sem escolher palavras" Sartre
domingo, 23 de maio de 2010
Meu Leito
Meu leito num quarto qualquer
Sem vinho ou um cigarro sequer
Meu leito, neste quarto vazio
Sem calor, perece no frio
Deitado em meu canto, sem romance
Deitado sem vida, sem nuance
O verde que pairava antes, cedeu
O ar em minha volta morreu
E não há mais palavras a vomitar
Sem mais expressões para usar
Resta uma alma num terreno baldio
Resta meu leito num quarto vazio...
Sem vinho ou um cigarro sequer
Meu leito, neste quarto vazio
Sem calor, perece no frio
Deitado em meu canto, sem romance
Deitado sem vida, sem nuance
O verde que pairava antes, cedeu
O ar em minha volta morreu
E não há mais palavras a vomitar
Sem mais expressões para usar
Resta uma alma num terreno baldio
Resta meu leito num quarto vazio...
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Dengue
Ok então, vamos falar sobre a Dengue!
Todos nós já sabemos, epidemia, temos que cuidar mas não adianta se o vizinho não cuidar, capinar lotes vagos, não deixar caixas d'água abertas, colocar areia nos vasos de plantas, virar garrafas de cabeça para baixo e todo o resto que já estamos cansados de ver na TV.
Eu poderia dizer aqui que a culpa é toda da população, porque sabemos que Dengue mata mesmo! Poderia também frisar que cerca de 5 anos atrás o mesmo problema que vivemos hoje foi quase que totalmente exterminado e como brasileiro é conformista, não continuou prevenindo e deu no que deu.
Mas isto são outras águas, quero expor aqui um ponto de vista um pouco diferente, é claro que sem tirar a culpa dos indivíduos inérticos em seu conformismo de comentar algo sobre a doença somente quando assistem as propagandas de prevenção nos intervalos do BBB.
Vamos para um ponto de vista que também vai nos permitir uma reflexão sobre as enchentes queridas de cada ano. O que acontece afinal de contas? Desde que minha vó era gostosa existem essas enchentes no Rio, São Paulo, etc, problema que se agrava com o crescimento descontrolado das cidades juntamente com a falta de infra estrutura. E é aí que reside a grande jogada!
Por que, afinal de contas não prevenimos as enchentes cuidando do problema enquanto está seco? A resposta é muito simples: são questões políticas. Desde que enchentes se tornaram problemas nas grandes cidades, existem políticos que usam disto para ganhar votos, na maioria dos pobres, que pensam que tem alguém olhando por eles quando na verdade só quer seus votos. Enchentes são sempre promessas políticas, pois elas rendem muitos votos. Então, se você vai ao Rio de Janeiro no começo do ano, tome cuidado para não acordar em Veneza.
Brincadeiras a parte, voltemos à Dengue.
Daí você deve estar pensando assim: porra, mais esse cara não sabe do que ele fala, a prefeitura da minha cidade comprou 300 carros fumacê. Claro que sim, na minha cidade também, e já faz mais de um mês que não vejo nenhum. E além do mais, nosso grande amigo Darwin já disse que os indivíduos mais fortes tendem a passar tal característica para as próximas gerações, é assim que se pega grande parte das famosas e temidas infecções hospitalares, já que usam tanto o mesmo remédio de sempre que as bactérias ficaram mais resistentes, afinal de contas elas também são filhas de Darwin. Agora imagina o que acontece se milhões de carros fumacê saíssem na rua ao mesmo tempo jogando fumaça em tudo que é canto? Acho que seria uma bela dorga pros mosquitos da Dengue.
Então, o que mais os governos podem fazer? Onde está a prevenção? Onde estão os novos agentes de controle e combate? Onde estão as multas para quem pode deixar o mosquito se proliferar? Eu sei onde estão, estão na próxima campanha do seu candidato favorito, juntamente com outros problemas da sua cidade que nunca são resolvidos! Por quê? Porque são ótimas promessas de campanhas para ganharem votos! Fantástico. Vou me candidatar, prometo que se ganhar eu acabo com a Dengue gente.
Então o que podemos fazer?
Criaram a vacina contra a maldita H1N1, que eu acho desperdício de dinheiro e redundantemente de verbas. Dinheiro este que poderia ser investido em outras áreas, já que estatisticamente a H1N1 mata menos que a gripe comum, e venho aqui frisar também que estatísticas não mentem. Ora, será será tão difícil assim criar uma vacina contra Dengue? Se quando alguém pega a doença e se cura, fica imune, então é somente uma questão de pegar o vírus morto ou em latência para fazer a tal vacina. Fala sério, mereço um Nobel por isso, não mereço?
Mas enquanto isso não acontece, precisamos ver possibilidades alternativas, como prevenir mais, por exemplo. Mas eu, como gosto de coisas ainda mais alternativas já ando pensando na possibilidade de criar sapos e aranhas por aqui, pra comerem os mosquitos.
Mas se eu ganhar vou acabar com a Dengue pessoal, é sério, votem em mim!
Todos nós já sabemos, epidemia, temos que cuidar mas não adianta se o vizinho não cuidar, capinar lotes vagos, não deixar caixas d'água abertas, colocar areia nos vasos de plantas, virar garrafas de cabeça para baixo e todo o resto que já estamos cansados de ver na TV.
Eu poderia dizer aqui que a culpa é toda da população, porque sabemos que Dengue mata mesmo! Poderia também frisar que cerca de 5 anos atrás o mesmo problema que vivemos hoje foi quase que totalmente exterminado e como brasileiro é conformista, não continuou prevenindo e deu no que deu.
Mas isto são outras águas, quero expor aqui um ponto de vista um pouco diferente, é claro que sem tirar a culpa dos indivíduos inérticos em seu conformismo de comentar algo sobre a doença somente quando assistem as propagandas de prevenção nos intervalos do BBB.
Vamos para um ponto de vista que também vai nos permitir uma reflexão sobre as enchentes queridas de cada ano. O que acontece afinal de contas? Desde que minha vó era gostosa existem essas enchentes no Rio, São Paulo, etc, problema que se agrava com o crescimento descontrolado das cidades juntamente com a falta de infra estrutura. E é aí que reside a grande jogada!
Por que, afinal de contas não prevenimos as enchentes cuidando do problema enquanto está seco? A resposta é muito simples: são questões políticas. Desde que enchentes se tornaram problemas nas grandes cidades, existem políticos que usam disto para ganhar votos, na maioria dos pobres, que pensam que tem alguém olhando por eles quando na verdade só quer seus votos. Enchentes são sempre promessas políticas, pois elas rendem muitos votos. Então, se você vai ao Rio de Janeiro no começo do ano, tome cuidado para não acordar em Veneza.
Brincadeiras a parte, voltemos à Dengue.
Daí você deve estar pensando assim: porra, mais esse cara não sabe do que ele fala, a prefeitura da minha cidade comprou 300 carros fumacê. Claro que sim, na minha cidade também, e já faz mais de um mês que não vejo nenhum. E além do mais, nosso grande amigo Darwin já disse que os indivíduos mais fortes tendem a passar tal característica para as próximas gerações, é assim que se pega grande parte das famosas e temidas infecções hospitalares, já que usam tanto o mesmo remédio de sempre que as bactérias ficaram mais resistentes, afinal de contas elas também são filhas de Darwin. Agora imagina o que acontece se milhões de carros fumacê saíssem na rua ao mesmo tempo jogando fumaça em tudo que é canto? Acho que seria uma bela dorga pros mosquitos da Dengue.
Então, o que mais os governos podem fazer? Onde está a prevenção? Onde estão os novos agentes de controle e combate? Onde estão as multas para quem pode deixar o mosquito se proliferar? Eu sei onde estão, estão na próxima campanha do seu candidato favorito, juntamente com outros problemas da sua cidade que nunca são resolvidos! Por quê? Porque são ótimas promessas de campanhas para ganharem votos! Fantástico. Vou me candidatar, prometo que se ganhar eu acabo com a Dengue gente.
Então o que podemos fazer?
Criaram a vacina contra a maldita H1N1, que eu acho desperdício de dinheiro e redundantemente de verbas. Dinheiro este que poderia ser investido em outras áreas, já que estatisticamente a H1N1 mata menos que a gripe comum, e venho aqui frisar também que estatísticas não mentem. Ora, será será tão difícil assim criar uma vacina contra Dengue? Se quando alguém pega a doença e se cura, fica imune, então é somente uma questão de pegar o vírus morto ou em latência para fazer a tal vacina. Fala sério, mereço um Nobel por isso, não mereço?
Mas enquanto isso não acontece, precisamos ver possibilidades alternativas, como prevenir mais, por exemplo. Mas eu, como gosto de coisas ainda mais alternativas já ando pensando na possibilidade de criar sapos e aranhas por aqui, pra comerem os mosquitos.
Mas se eu ganhar vou acabar com a Dengue pessoal, é sério, votem em mim!
sexta-feira, 26 de março de 2010
Sonho que se sonha só
Sonho acordado...
Sonho com vontade de dormir
Durmo sonhando,
Acordando com vontade de sonhar
Sonho com seu sonho
Seu sonho em meu sonho
Em meu sonho seu rosto
Em seu rosto meu esboço
Durmo com você,
Sempre acordo sozinho
E no sonho do meu sonho
Ainda seguimos o caminho
Sonho com o desejo
Desejo que ainda deseja
Deseja sua vontade de desejar
Deseja minha vontade de acordar
Sonho com vontade de dormir
Durmo sonhando,
Acordando com vontade de sonhar
Sonho com seu sonho
Seu sonho em meu sonho
Em meu sonho seu rosto
Em seu rosto meu esboço
Durmo com você,
Sempre acordo sozinho
E no sonho do meu sonho
Ainda seguimos o caminho
Sonho com o desejo
Desejo que ainda deseja
Deseja sua vontade de desejar
Deseja minha vontade de acordar
segunda-feira, 15 de março de 2010
Narcisismo
Procuro por todos os lados
Algo que não irei encontrar
Me esqueço de todos os fatos
Me esqueço de como amar
E cada vez que olho nos olhos
No corpo o toque de minha mão
Dedos cegos percorrem sem rumo
Sequer encontram um coração
E por mais olhos que eu procure
Sei que não vai ser mais assim
Pois nunca procurei por você
A procura sempre foi a mim
Algo que não irei encontrar
Me esqueço de todos os fatos
Me esqueço de como amar
E cada vez que olho nos olhos
No corpo o toque de minha mão
Dedos cegos percorrem sem rumo
Sequer encontram um coração
E por mais olhos que eu procure
Sei que não vai ser mais assim
Pois nunca procurei por você
A procura sempre foi a mim
quarta-feira, 10 de março de 2010
Dúvida cruel
Sr. Horácio, doutor em Filosofia, detentor saber, a pessoa ideal para responder as perguntas mais cobiçadas a respeito da existencia de toda humanidade.
Quando Sr. Horácio, doutor em Filosofia sente fome, ele elabora uma tese extremamente complicada, cheia de longas e mesquinhas questões a respeito da fome, do ato de comer, de que você é o que você come, logo devora a si mesmo e assim se passam as horas, os dias, os anos...
O pequeno Tobias, cachorro do Sr. Horácio, doutor em Filosofia. Não sabe ler (óbvio), ou escrever, nada sabe sobre a linguagem, não levanta questões ou escreve livros. O pequeno Tobias quando sente fome: come.
Quando Sr. Horácio, doutor em Filosofia sente fome, ele elabora uma tese extremamente complicada, cheia de longas e mesquinhas questões a respeito da fome, do ato de comer, de que você é o que você come, logo devora a si mesmo e assim se passam as horas, os dias, os anos...
O pequeno Tobias, cachorro do Sr. Horácio, doutor em Filosofia. Não sabe ler (óbvio), ou escrever, nada sabe sobre a linguagem, não levanta questões ou escreve livros. O pequeno Tobias quando sente fome: come.
sexta-feira, 5 de março de 2010
7 fatos capitais
Ctrl+c Ctrl+v do oiq logbook
http://oiq-logbook.blogspot.com/
Vamos a eles, alguns realmente regem nossa vida de forma indubtável.
1- Tédio gera preguiça que gera tédio. Se você não tem nada pra fazer, provavelmente não querer inventar uma coisa, e o fato de não querer inventar te trava a não ter nada, é vício.
2- O que te arrumam pra fazer, em 98,751274% das vezes é muito distante de alguma coisa que te agrada.
3- Quando está ocupado, queria estar à toa, quando está à toa, reza pra aparecer uma ocupação.
4- Esportes dificilmente se tornam uma opção.
5- As pessoas em volta sempre criticam, nunca ajudam.
7- Você só riu de uma coisa ou outra acima porque se encaixa nela.
(é, eu não tive criatividade pro sexto, fazer o quê? =/)
Edit:
8-O download que você quer que chegue por último é sempre o que puxa a maior banda pra ele, e não há nada que você possa fazer.
http://oiq-logbook.blogspot.com/
Vamos a eles, alguns realmente regem nossa vida de forma indubtável.
1- Tédio gera preguiça que gera tédio. Se você não tem nada pra fazer, provavelmente não querer inventar uma coisa, e o fato de não querer inventar te trava a não ter nada, é vício.
2- O que te arrumam pra fazer, em 98,751274% das vezes é muito distante de alguma coisa que te agrada.
3- Quando está ocupado, queria estar à toa, quando está à toa, reza pra aparecer uma ocupação.
4- Esportes dificilmente se tornam uma opção.
5- As pessoas em volta sempre criticam, nunca ajudam.
7- Você só riu de uma coisa ou outra acima porque se encaixa nela.
(é, eu não tive criatividade pro sexto, fazer o quê? =/)
Edit:
8-O download que você quer que chegue por último é sempre o que puxa a maior banda pra ele, e não há nada que você possa fazer.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Uma repetida...
Aqui vai um repetido...Não tenho muito tempo para escrever, comecei minha monografia.
O outro lado
Maria Roberta...
Da escola a mais desejada
De tão bela tinha o homem que queria
Hoje é sempre lembrada
Por não saber com quem dormia
Agora não é mais bela
Não é mais desejada
Só fica numa ruela
Esperando ser contratada
Não tem família
Não tem ninguém
Nem mais sabe o que é amar...
-Ah... Como é bom ser popular...-
João Cássio Henrique...
No futebol não tinha igual
Conhecia a escola inteira
Aí conheceu seu pessoal
Tudo pela reputação maneira
Aos doze bebia e fumava
Aos treze já roubava
Aos quinze traficava
Aos vinte nada faltava
Era conhecido com “mata vocês”
No seu morro ele mandava
Hoje reside na cela quatro três
E com orgulho se lembra – como jogava-
Simão Alves Penha...
Estudante, orgulhoso, inteligente
Senso crítico impecável
Fazia inveja em toda gente
Errar lhe era imperdoável
Lutou na ditadura com paixão
Era um bravo revolucionário
Depois veio a ser empresário
Agora vive em Brasília, vulgo: ladrão
O povo brasileiro!
Do futebol não perde uma partida
Vai ao estádio para implicar
E na confusão esquece da vida
Grita e xinga, chega a matar
Discute política com fervor e prudência
E nem sabe quem ocupa a vice-presidência
Violência, crime, tráfico é tudo criticado
-Assim não da pra sai, fico aqui com meu baseado-
O outro lado
Maria Roberta...
Da escola a mais desejada
De tão bela tinha o homem que queria
Hoje é sempre lembrada
Por não saber com quem dormia
Agora não é mais bela
Não é mais desejada
Só fica numa ruela
Esperando ser contratada
Não tem família
Não tem ninguém
Nem mais sabe o que é amar...
-Ah... Como é bom ser popular...-
João Cássio Henrique...
No futebol não tinha igual
Conhecia a escola inteira
Aí conheceu seu pessoal
Tudo pela reputação maneira
Aos doze bebia e fumava
Aos treze já roubava
Aos quinze traficava
Aos vinte nada faltava
Era conhecido com “mata vocês”
No seu morro ele mandava
Hoje reside na cela quatro três
E com orgulho se lembra – como jogava-
Simão Alves Penha...
Estudante, orgulhoso, inteligente
Senso crítico impecável
Fazia inveja em toda gente
Errar lhe era imperdoável
Lutou na ditadura com paixão
Era um bravo revolucionário
Depois veio a ser empresário
Agora vive em Brasília, vulgo: ladrão
O povo brasileiro!
Do futebol não perde uma partida
Vai ao estádio para implicar
E na confusão esquece da vida
Grita e xinga, chega a matar
Discute política com fervor e prudência
E nem sabe quem ocupa a vice-presidência
Violência, crime, tráfico é tudo criticado
-Assim não da pra sai, fico aqui com meu baseado-
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Poesia Alcoólica
Ah, quanta saudade eu sinto
Tão doce quanto um bom absinto
Lembrando do momento em comum
Degustado com uma garrafa de rum
Seu nome ainda ouço em som
Indivisível como uma garrafa de bourbon
Mas um momento tão precioso assim
Não é comparado nem com um copo de gim
Anderson Marques Mileib
Tão doce quanto um bom absinto
Lembrando do momento em comum
Degustado com uma garrafa de rum
Seu nome ainda ouço em som
Indivisível como uma garrafa de bourbon
Mas um momento tão precioso assim
Não é comparado nem com um copo de gim
Anderson Marques Mileib
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Hoje uma homenagem
Manuel Antônio Álvares de Azevedo... Pra mim ele foi O mal do século. Quem me conhece sabe o quanto sou fã dele. Aqui vai um de meus favoritos.
Lembrança de Morrer
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
– Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade – é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade – é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas…
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai… de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos – e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei… que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores…
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo…
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.
Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!
Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos…
Deixai a lua pratear-me a lousa!
Lembrança de Morrer
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
– Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade – é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade – é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas…
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai… de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos – e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei… que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores…
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo…
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.
Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!
Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos…
Deixai a lua pratear-me a lousa!
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