Em seu livro Eu, Robô, Isaac Asimov nos apresenta, de forma resumida a evolução da robótica, desde um simples mecanismo usado como brinquedo/babá, até um supercomputador extremamente complexo e até incompreensível.
Em sua última história, chamada O Conflito Evitável, somos apresentados a este computador, que acabou se tornando responsável por todo bem estar e programador dos meios de produção de toda humanidade, a Máquina.
A Máquina, em teoria nunca erra, sempre cumpre prazo, e seus cálculos são responsáveis até mesmo pela produção de alimentos de todos os seres humanos.
Logo no começo da história, somos apresentados a alguns problemas: a construção de um canal no México atrasada por 2 meses, minas de mercúrio de Almaden vêm sofrendo deficiência na produção à algumas semanas e uma fábrica hidropônica está despedindo funcionários, em Tietsin.
O conto em si, é basicamente um diálogo entre Stephen Byerley, o líder mundial eleito, e Susan Calvin, uma pesquisadora e espécie de ‘psicóloga de robôs’. Começam fazendo um questionamento sobre crises inevitáveis da humanidade que sempre terminam com o uso da violência, desde a monarquia no século XVI, passando pela revolução industrial, até a brilhantemente prevista ‘guerra ideológica’ no século XX (errando apenas o século, talvez). Passando até a chegada dos robôs positrônicos, que, segundo a Drª Calvin:
“Chegaram bem a tempo e, juntamente com eles, vieram as viagens interplanetárias. Desse modo, deixou de ser importante saber se o mundo era Adam Smith ou Karl Marx. Nas novas circunstâncias, nenhum dos dois fazia muito sentido. Ambas as teorias precisavam adaptar-se e terminaram quase no mesmo ponto.”
Com o tempo, como mostra no livro, as máquinas evoluíram e deixaram de ser uma vasta aglomeração de circuitos calculadores, sendo controlados pela Primeira Lei da Robótica (Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.) De forma que a economia mundial está de acordo com os melhores interesses do homem.
“A população da Terra sabe que não haverá desemprego, superprodução ou falta de bens. Esbanjamento e fome são palavras que só existem nos livros de História. Assim sendo a questão da propriedade dos meios de produção tornou-se obsoleta. Qualquer que seja o proprietário (se tal termo faz sentido) – um homem, um grupo, uma nação ou a humanidade inteira – os meios de produção só podem ser utilizados de acordo com as diretrizes fornecidas pelas Máquinas. Não porque os homens tenham sido forçados a isso, mas porque este era o melhor caminho a seguir e os homens souberam reconhecê-la.”
E de quem seriam os erros apontados no começo do conto então? Das próprias máquinas, elas “não estão cumprindo sua missão”, algo que não deveria existir, já que as máquinas são autocorrigidas e um erro nos circuitos violaria suas leis da natureza.
Então, temos a lógica de que a única forma de os robôs errarem, é o fato de que eles estão recebendo informações incorretas dos humanos, sendo assim, Byerley fez uma viagem ao redor do mundo para verificar os erros. São quatro chamadas Máquinas, cada uma responsável por uma das Regiões Planetárias.
Ao examinar cada um dos locais, México, Tietsin e Almaden, além das pessoas responsáveis pelos, os Vice Coordenadores.
Byerley chegou à conclusão de que todos os atrasos e incidentes estavam, de alguma forma ligados com um grupo extremista chamado Sociedade em Prol da Humanidade, que são pessoas em sua maioria ricas e poderosas movidas pelo preconceito de que os robôs tirariam a liberdade e o emprego dos seres humanos.
Como sugestão, Byerley cogita com Susan Calvin tornar público tal evento, de forma que o grupo perca força ou seja mal visto, enquanto a Drª não aprova tal ação.
Argumentando que, seguindo as leis da robótica, a Máquina fez o que já foi calculado. Tudo já fora planejado pelo computador, desde a ascensão dos membros do grupo até a falha ou acidentes sem que haja perda humana. Os responsáveis não foram impedidos de trabalhar, mas retirados de cargos estratégicos e de poder. E como não houveram casualidades, respeitou-se a 1ª Lei da Robótica.
O Paradoxo da Máquina é deixar que os preconceituosos incompetentes se empoderem, justamente com o intuito de mostrar que não conseguem realizar o trabalha baseado em suas ideologias.
Nas palavras da Drª Calvin: “Toda a ação levada a efeito por um diretor que não segue exatamente as instruções da Máquina com a qual ele trabalha se transforma em parte dos dados que serão apresentados à Máquina no problema consecutivo. Em consequência, a Máquina sabe que o referido diretor tem uma certa tendência para desobedecer. A Máquina pode incorporar essa tendência aos dados – até mesmo quantitativamente, isto é, calculando exatamente quando e em que sentido a desobediência deve ocorrer. Suas respostas seriam suficientemente desviadas de modo que, quando o referido diretor desobedecesse, corrigiria automaticamente as respostas, levando-as à direção ótima.”
sexta-feira, 26 de julho de 2019
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
Liberdade
Ai! Ai de mim!
Poder dizer assim,
Palavras ou
sussurros
Deste querer aos
urros!
Ai de mim, se na
liberdade
Pudesse dizer-lhe
de verdade.
Negros olhos
proibidos,
Ansiedade dos
desapercebidos.
Mas quem mo
dera...
Desejar todo esse
desejo
E ter apenas um
ensejo.
Na sua languida
palidez
Perderia minha
sensatez.
Seria somente
trovejo,
Curto e vermelho.
Mais que apenas
anseio,
Seria somente seu
beijo.
domingo, 28 de outubro de 2018
Nunca
Nunca diga a mim
Que não sabia da situação.
Que essa sua bandeira
-que também é a minha-
Virou-se uma poleira,
As armas, multidão!
Nunca diga que não avisaram.
Quando eles vieram
Silenciar o canto do galo.
Nas manhãs que entrevistaram
E sabe que eles virão.
Nunca solte de quem lhe afaga
A mão e também o coração.
Não se esqueça, não deixe
Pois o tempo a tudo apaga
Mas não há de se apagar
Nos olhos da multidão
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
Poesia falada
O Chamado
Sussuram-me os ventos das lembranças
No frio e solitário leito
Do desejo da mudança
Terá o ciclo mudado seu jeito?
As lembranças permanecem,
O desejo ainda deseja,
Sentimentos remanescem.
Talvez tudo esteja...
Seria tarde para desculpas
Na noite de monólogos intermináveis?
Será este o sentimento que usurpa,
Ou apenas somos seres lamentáveis?
Tantas perguntas,
Tão poucas respostas.
E na mesa: dois ases e a permuta
Esta será minha última aposta.
Eu sei que ainda me lê!
No blefe da jogada,
Na noite alucinada.
Sabe que estas palavras
Foram feitas para você.
terça-feira, 18 de setembro de 2018
Sombra
A silhueta vazia que consome
Olhares, palavras e lembranças.
O passado: deixai para trás,
Lembra-te daquela noite insone.
No fulgor do toque perigoso
Somente a sombra me restou.
Não, não fique um instante a mais
Vá embora e deixa-me a fome.
Com ela, pelo menos sei lidar
Mas a sombra, sentimento incessante.
Paira no quarto, me devora, me mata
Me tortura a todo instante.
E mesmo que se vá na ofuscante luz
Ainda assim, restará seu nome.
terça-feira, 11 de setembro de 2018
Nudez
Quero ser a nudez
De seu corpo,
Sua pele e tez.
Quero ser o gemido,
Que se perde na vez.
O suor que escorre,
No beijo que grita.
O ato de hoje
E amanhã talvez.
Quero seu corpo adorado
No meu despido.
Com juras de amor
E o quarto abafado.
Quero ser assim:
O prazer como você me fez.
Imagem de Gordon Punt
terça-feira, 21 de agosto de 2018
Sobre viagens no tempo
E dizem que não é possível viajar no tempo. Quando olhamos para as estrelas em uma noite clara, estamos na verdade olhando para o passado, muitos destes corpos celestes já não existem mais, assim como outros já podem ter nascido, considerando o tempo em que a luz demoraria para chegar até a terra.
Se o sol (que é a estrela mais próxima da terra) apagasse, levaria aproximadamente 8 minutos e 20 segundos para que seus últimos raios chegassem até nós, isso porque nossa querida estrela está a apenas 150 milhões de km de nosso humilde planeta.
Agora, se considerarmos uma outra estrela mais perto de nós, como a estrela mais brilhante da constelação de Andrômeda, que está a 97 anos-luz de distância da terra veremos o quanto olhamos para o passado: 1 ano luz é a distância em que a luz atravessa no vácuo durante um ano juliano, algo em torno de 9.460.730.472.580 de km. São quase 9 TRILHÕES e meio de km, agora multiplique este valor por 97 e teremos um pouco da magnitude do quanto observamos o passado.
Então, vemos constelações, quiçá planetas que já não existem mais, pode ser que lá existiam seres inteligentes ou até mais que nós, analisamos e admiramos toda a destruição de vários planetas e a extinção de formas de vida que sequer chegaríamos a imaginar em nossa limitada concepção geocentrista de vida.
Nos aplaudimos, criamos concepções de comportamentos e/ou ideias somente pela posição dos astros em determinada data, isso tudo gira em torno de uma possibilidade infinita de destruição em massa, agonia e sofrimento de tantos seres que seria até mesmo impossível de quantificar.
Tudo isso aconteceu há muitos anos, antes mesmo de nosso planeta existir, enquanto você fica aí se preocupando com a lua que entrou em sagitário...
Se o sol (que é a estrela mais próxima da terra) apagasse, levaria aproximadamente 8 minutos e 20 segundos para que seus últimos raios chegassem até nós, isso porque nossa querida estrela está a apenas 150 milhões de km de nosso humilde planeta.
Agora, se considerarmos uma outra estrela mais perto de nós, como a estrela mais brilhante da constelação de Andrômeda, que está a 97 anos-luz de distância da terra veremos o quanto olhamos para o passado: 1 ano luz é a distância em que a luz atravessa no vácuo durante um ano juliano, algo em torno de 9.460.730.472.580 de km. São quase 9 TRILHÕES e meio de km, agora multiplique este valor por 97 e teremos um pouco da magnitude do quanto observamos o passado.
Então, vemos constelações, quiçá planetas que já não existem mais, pode ser que lá existiam seres inteligentes ou até mais que nós, analisamos e admiramos toda a destruição de vários planetas e a extinção de formas de vida que sequer chegaríamos a imaginar em nossa limitada concepção geocentrista de vida.
Nos aplaudimos, criamos concepções de comportamentos e/ou ideias somente pela posição dos astros em determinada data, isso tudo gira em torno de uma possibilidade infinita de destruição em massa, agonia e sofrimento de tantos seres que seria até mesmo impossível de quantificar.
Tudo isso aconteceu há muitos anos, antes mesmo de nosso planeta existir, enquanto você fica aí se preocupando com a lua que entrou em sagitário...
terça-feira, 7 de agosto de 2018
Toda forma de prazer
Todo prazer é temporário,
Por mais que entristeça,
Não importa o que pareça.
Todo amor é temerário.
O prazer se torna afã
Árduo vício desvirtuoso.
E por fim, escabroso.
E a paixão, louçã.
Por um segundo de prazer
Morre-se além do entendimento.
E o que restou da vida?
-arrependimento-
Vivo um intenso querer.
Um querer que não quero!
Mas o demônio é alimentado,
A cada instante, de cada lado.
E esse não quero
-eu já quero de novo-
quinta-feira, 2 de agosto de 2018
No Meio
Meio vazio,
Fora de mim.
Meio vadio
e fico assim...
Com meias palavras,
Meias atitudes,
Tudo no meio.
Tudo, menos o anseio.
Mas esse passa...
No meio de tudo.
Me deixando assim
Sem meio e sem fundo.
terça-feira, 31 de julho de 2018
Conheçam também meu canal no youtube
É novo e tem pouca coisa, mas vou atualizando.
https://www.youtube.com/channel/UC-6VFozyCzhjOSK3LP16-KA?view_as=subscriber
https://www.youtube.com/channel/UC-6VFozyCzhjOSK3LP16-KA?view_as=subscriber
segunda-feira, 23 de julho de 2018
Resenha do livro Ascos
Resenha por: Vitória Bueno
Nota: 10,0 - 10,0
Livro: Ascos
Autor: Anderson Mileib
Número de páginas: 86 páginas
Resenha: Bom, eu já resenhei esse livro por aqui há um tempo atrás (link Aqui!). Resenhei a edição física, mas fui convidada pelo autor a reler a obra no formato digital, que saiu há pouco tempo, e dar minhas considerações a respeito dela.
Primeiramente vou introduzir a obra pra vocês.
Muitos não conhecem, mas Ascos é uma obra de contos de horror e suspense escrita de forma magistral, com a plena intenção de causar medo, mas também a reflexão.
A história se passa em uma taverna e, no decorrer da noite, embriagados pela bebida, quatro homens resolvem contar sua extraordinária história. Os contos são divididos entre essas quatro personagens.
No primeiro conto, conhecemos Macalister, que apresenta sua história para os companheiros da taverna. Ele conta uma história de quando ainda era caixeiro viajante e, por causa de um mal tempo, fora obrigado a se hospedar em uma decadente hospedaria em um pequeno vilarejo. Logo no início ele sente algo estranho na casa, assim como na dona dela e, após investigar descobre que houve um misterioso crime naquele lugar. Sua curiosidade o impulsiona a ficar até desmembrar toda a história e o desfecho, é de arrepiar!
"A razão, meus caros, é a forma como utilizamos a inteligência para superar o medo."
Já o segundo conto apresenta Isaac. A história que ele conta aconteceu anos atrás, quando ele morava em uma pequena vila que, de uma hora para outra foi amaldiçoada por algo terrível e misterioso. Os animais começaram a morrer e o alimento a acabar. Devido a uma assembleia, ficou decidido, não sem muita hesitação, que uma comitiva de dez pessoas partiria em busca de ajuda. Dentre as pessoas que se ofereceram, estava Isaac e sua bela e amada esposa. Mas ao sair do vilarejo, acabaram presos em uma fazenda abandonada, por causa da baixa temperatura. Nesse local, eles são obrigados a repensar seus conceitos a respeito do que é humano e o que é preciso fazer para garantir sua sobrevivência. Conto amedrontador que faz jus ao nome do livro!
"- Aqui matamos todos os nossos fantasmas, e alimentamos os demônios dentro de nós mesmos. "
No terceiro conto nos é apresentado Kevin. Sua história gira em torno de sua juventude e de sua ambição por investigar a mente assassina de um psicopata.
O quarto conto é narrado por Alphonse, que apresenta uma história de quando ele era um jovem escritor de peças de teatro e, após uma não tão prestigiada apresentação, recebe uma proposta um tanto assombrosa de seu amigo Fabian, que era também a personagem principal de seu drama, com o intuito de dar mais emoção e realidade à peça, e assim, alavancar a fama dos dois.
"A arte, pura e verdadeira só é paga com sangue. A vida é o verdadeiro Teatro dos Horrores."
O último conto é na verdade, como seu próprio título diz, uma carta. Foi escrita na taverna, enquanto o remetente ouvia as histórias contadas. Ela é um ultimato, uma carta de amor, de saudade, de horror, de asco...
"Não importa quão grande seja a dor dos outros, nossas tragédias são sempre incomensuráveis."
Recomendo fortemente a leitura desse livro. Vale realmente muito a pena.
A escrita do autor é madura e muito fluida. Suas histórias são instigantes e tensas, carregadas de suspense do início ao fim, tornando impossível parar de ler até devorar a última página!
Quanto à edição, recomendo que esta seja revisada. Encontrei alguns erros de ortografia e de concordância, mas não foi nada que me atrapalhasse na leitura. Só acho que esse livro merece um tratamento um pouco mais minucioso.
Mais uma vez, dou meus parabéns ao Anderson, um grande parceiro aqui do blog, por ter criado uma história tão incrível, fazendo com que, separados, os contos sejam intensos, mas que juntos, formem uma unidade de horror deliciosa para qualquer um que aprecie o gênero.
Só leiam!
Resenha de meu livro feito pela Vitória. Visitem seu blog:
https://ateoriadaslaranjas.blogspot.com/
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Mosca
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