sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Liberdade


Ai! Ai de mim!
Poder dizer assim,
Palavras ou sussurros
Deste querer aos urros!

Ai de mim, se na liberdade
Pudesse dizer-lhe de verdade.
Negros olhos proibidos,
Ansiedade dos desapercebidos.

Mas quem mo dera...

Desejar todo esse desejo
E ter apenas um ensejo.
Na sua languida palidez
Perderia minha sensatez.

Seria somente trovejo,
Curto e vermelho.
Mais que apenas anseio,
Seria somente seu beijo.

domingo, 28 de outubro de 2018

Nunca

Nunca diga a mim
Que não sabia da situação.
Que essa sua bandeira
-que também é a minha-
Virou-se uma poleira,
As armas, multidão!

Nunca diga que não avisaram.
Quando eles vieram
Silenciar o canto do galo.
Nas manhãs que entrevistaram
E sabe que eles virão.

Nunca solte de quem lhe afaga
A mão e também o coração.
Não se esqueça, não deixe
Pois o tempo a tudo apaga
Mas não há de se apagar
Nos olhos da multidão

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Poesia falada

O Chamado

Sussuram-me os ventos das lembranças
No frio e solitário leito
Do desejo da mudança
Terá o ciclo mudado seu jeito?

As lembranças permanecem,
O desejo ainda deseja,
Sentimentos remanescem. 
Talvez tudo esteja...

Seria tarde para desculpas
Na noite de monólogos intermináveis?
Será este o sentimento que usurpa,
Ou apenas somos seres lamentáveis?

Tantas perguntas,
Tão poucas respostas.
E na mesa: dois ases e a permuta
Esta será minha última aposta.

Eu sei que ainda me lê!
No blefe da jogada,
Na noite alucinada.
Sabe que estas palavras 
Foram feitas para você.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Sombra


A silhueta vazia que consome
Olhares, palavras e lembranças.
O passado: deixai para trás,
Lembra-te daquela noite insone.
No fulgor do toque perigoso
Somente a sombra me restou.
Não, não fique um instante a mais
Vá embora e deixa-me a fome.
Com ela, pelo menos sei lidar
Mas a sombra, sentimento incessante.
Paira no quarto, me devora, me mata
Me tortura a todo instante.
E mesmo que se vá na ofuscante luz
Ainda assim, restará seu nome.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Nudez



Quero ser a nudez
De seu corpo,
Sua pele e tez.
Quero ser o gemido,
Que se perde na vez.
O suor que escorre,
No beijo que grita.
O ato de hoje
E amanhã talvez.
Quero seu corpo adorado
No meu despido.
Com juras de amor
E o quarto abafado.
Quero ser assim:
O prazer como você me fez.


Imagem de Gordon Punt

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Sobre viagens no tempo

E dizem que não é possível viajar no tempo. Quando olhamos para as estrelas em uma noite clara, estamos na verdade olhando para o passado, muitos destes corpos celestes já não existem mais, assim como outros já podem ter nascido, considerando o tempo em que a luz demoraria para chegar até a terra.
Se o sol (que é a estrela mais próxima da terra) apagasse, levaria aproximadamente 8 minutos e 20 segundos para que seus últimos raios chegassem até nós, isso porque nossa querida estrela está a apenas 150 milhões de km de nosso humilde planeta.
Agora, se considerarmos uma outra estrela mais perto de nós, como a estrela mais brilhante da constelação de Andrômeda, que está a 97 anos-luz de distância da terra veremos o quanto olhamos para o passado: 1 ano luz é a distância em que a luz atravessa no vácuo durante um ano juliano, algo em torno de 9.460.730.472.580 de km. São quase 9 TRILHÕES e meio de km, agora multiplique este valor por 97 e teremos um pouco da magnitude do quanto observamos o passado.
Então, vemos constelações, quiçá planetas que já não existem mais, pode ser que lá existiam seres inteligentes ou até mais que nós, analisamos e admiramos toda a destruição de vários planetas e a extinção de formas de vida que sequer chegaríamos a imaginar em nossa limitada concepção geocentrista de vida.
Nos aplaudimos, criamos concepções de comportamentos e/ou ideias somente pela posição dos astros em determinada data, isso tudo gira em torno de uma possibilidade infinita de destruição em massa, agonia e sofrimento de tantos seres que seria até mesmo impossível de quantificar.
Tudo isso aconteceu há muitos anos, antes mesmo de nosso planeta existir, enquanto você fica aí se preocupando com a lua que entrou em sagitário...

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Toda forma de prazer


Todo prazer é temporário,
Por mais que entristeça,
Não importa o que pareça.
Todo amor é temerário.

O prazer se torna afã
Árduo vício desvirtuoso.
E por fim, escabroso.
E a paixão, louçã.

Por um segundo de prazer
Morre-se além do entendimento.
E o que restou da vida?
-arrependimento-
Vivo um intenso querer.

Um querer que não quero!
Mas o demônio é alimentado,
A cada instante, de cada lado.
E esse não quero
-eu já quero de novo-

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

No Meio

Meio vazio,
Fora de mim.
Meio vadio
e fico assim...
Com meias palavras,
Meias atitudes,
Tudo no meio.
Tudo, menos o anseio.
Mas esse passa...
No meio de tudo.
Me deixando assim
Sem meio e sem fundo.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Conheçam também meu canal no youtube

É novo e tem pouca coisa, mas vou atualizando.

https://www.youtube.com/channel/UC-6VFozyCzhjOSK3LP16-KA?view_as=subscriber

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Resenha do livro Ascos

Resenha por: Vitória Bueno
Nota: 10,0 - 10,0
Livro: Ascos
Autor: Anderson Mileib
Número de páginas: 86 páginas

Resenha: Bom, eu já resenhei esse livro por aqui há um tempo atrás (link Aqui!). Resenhei a edição física, mas fui convidada pelo autor a reler a obra no formato digital, que saiu há pouco tempo, e dar minhas considerações a respeito dela.

Primeiramente vou introduzir a obra pra vocês.
Muitos não conhecem, mas Ascos é uma obra de contos de horror e suspense escrita de forma magistral, com a plena intenção de causar medo, mas também a reflexão.

A história se passa em uma taverna e, no decorrer da noite, embriagados pela bebida, quatro homens resolvem contar sua extraordinária história. Os contos são divididos entre essas quatro personagens.

No primeiro conto, conhecemos Macalister, que apresenta sua história para os companheiros da taverna. Ele conta uma história de quando ainda era caixeiro viajante e, por causa de um mal tempo, fora obrigado a se hospedar em uma decadente hospedaria em um pequeno vilarejo. Logo no início ele sente algo estranho na casa, assim como na dona dela e, após investigar descobre que houve um misterioso crime naquele lugar. Sua curiosidade o impulsiona a ficar até desmembrar toda a história e o desfecho, é de arrepiar!

"A razão, meus caros, é a forma como utilizamos a inteligência para superar o medo."

Já o segundo conto apresenta Isaac. A história que ele conta aconteceu anos atrás, quando ele morava em uma pequena vila que, de uma hora para outra foi amaldiçoada por algo terrível e misterioso. Os animais começaram a morrer e o alimento a acabar. Devido a uma assembleia, ficou decidido, não sem muita hesitação, que uma comitiva de dez pessoas partiria em busca de ajuda. Dentre as pessoas que se ofereceram, estava Isaac e sua bela e amada esposa. Mas ao sair do vilarejo, acabaram presos em uma fazenda abandonada, por causa da baixa temperatura. Nesse local, eles são obrigados a repensar seus conceitos a respeito do que é humano e o que é preciso fazer para garantir sua sobrevivência. Conto amedrontador que faz jus ao nome do livro!

"- Aqui matamos todos os nossos fantasmas, e alimentamos os demônios dentro de nós mesmos. "

No terceiro conto nos é apresentado Kevin. Sua história gira em torno de sua juventude e de sua ambição por investigar a mente assassina de um psicopata.

O quarto conto é narrado por Alphonse, que apresenta uma história de quando ele era um jovem escritor de peças de teatro e, após uma não tão prestigiada apresentação, recebe uma proposta um tanto assombrosa de seu amigo Fabian, que era também a personagem principal de seu drama, com o intuito de dar mais emoção e realidade à peça, e assim, alavancar a fama dos dois.

"A arte, pura e verdadeira só é paga com sangue. A vida é o verdadeiro Teatro dos Horrores."

O último conto é na verdade, como seu próprio título diz, uma carta. Foi escrita na taverna, enquanto o remetente ouvia as histórias contadas. Ela é um ultimato, uma carta de amor, de saudade, de horror, de asco...

"Não importa quão grande seja a dor dos outros, nossas tragédias são sempre incomensuráveis."

Recomendo fortemente a leitura desse livro. Vale realmente muito a pena.
A escrita do autor é madura e muito fluida. Suas histórias são instigantes e tensas, carregadas de suspense do início ao fim, tornando impossível parar de ler até devorar a última página!
Quanto à edição, recomendo que esta seja revisada. Encontrei alguns erros de ortografia e de concordância, mas não foi nada que me atrapalhasse na leitura. Só acho que esse livro merece um tratamento um pouco mais minucioso.
Mais uma vez, dou meus parabéns ao Anderson, um grande parceiro aqui do blog, por ter criado uma história tão incrível, fazendo com que, separados, os contos sejam intensos, mas que juntos, formem uma unidade de horror deliciosa para qualquer um que aprecie o gênero.
Só leiam!

Resenha de meu livro feito pela Vitória. Visitem seu blog:
https://ateoriadaslaranjas.blogspot.com/

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Notas sobre ela:


Ela, que dança no timbre
Da perfeita harmonia
Com a beleza inibe
Do silêncio a cacofonia

Ela, que de passos certeiros
Dança verossímil paixão
E que em seus devaneios
Faz do poeta sua inspiração


Mosca

Diário do Dr. Fleubermann Paciente nº 003764 Curioso e peculiar o caso deste paciente em específico. Ainda me lembro bem da primeir...