terça-feira, 26 de junho de 2018

Uma obra inquietante

O nome deste quadro é "Autorretrato com a Morte Tocando Violino", de Arnold Böcklin.


Particularmente acho esta obra sensacional, transmite tantas sensações, sentimentos, inquietudes e, ao mesmo tempo, silêncio, a única forma que encontrei de descrevê-la.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Desafeto

Texto novo, espero que gostem


Desatino me pronuncia 
Destinado a solidão 
Deste nada me resta 
Além de, é claro 
Desamor e podridão 
Me deixa, me erra 
Me (des)rima 
Desse destino 
Meu desafeto é só meu 
Detestado e desamado 
Desprezado e destituído 
Desconstruído, desarrumado 
Como eu, desalmado. 
E no fim o que me resta? 
No desfeito a pisar no chão

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Chemistry

Outro texto antigo...


O nosso tempo nunca para
A vida é uma eterna mudança
É uma ferida que nunca sara?
Ou fruto da bem-aventurança?


Por vezes ainda espero o chamado
Seria essa ligação é tão forte assim?
Ou seria fruto de um tolo enganado
Que não consegue mudar-se de mim?


E as noites tornaram-se anos passados
Lembranças de cigarros inebriados
Quem me dera ser menos desinteressado
Poder fazer mais antes de ter acabado


Por vezes seu fantasma me assombra
Muitas vezes espero por ser assombrado
No mundo de lembranças vejo sua sombra
Desejando apenas que eu fosse lembrado

terça-feira, 12 de junho de 2018

Dia dos namorados

Texto de 2012



Amor, meu grande amor...

Amo-te mais que o sol a lua

Cantando o seu belo louvor

Amo-te mais que a beleza nua


Muito mais que a carne de seus lábios

Ou minhas mãos tocando seu semblante

Nossos corpos unos, sábios

Sua pele, minha perfeita amante


Sua bela voz em minha mente

Cantando, melodias explodindo

E com sangue em mãos contente

Do corpo que jaz exaurido


Não, amo-te ainda mais!

Não é apenas mera carne pútrida

Não são ossos de animais


Meu amor jaz em seu leito vazio

Mesmo que não tenha partido

Agora é preenchido


Em nossa núpcia de madeira

Tudo mais se prepara

Para sempre noite sorrateira

Nem mesmo a morte nos separa



terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Imperdoáveis

No escuro, eles caminham
Escondidos, perseguem
No silêncio eles devoram
E a tudo eles consomem

Em quartos abafados e vazios
Pode-se sentir seus olhares
Quando não estamos sozinhos
Imperdoáveis fazem-te calares

Na sombra que se alimentam
E quando eles chegam
Até deuses se lamentam

Aos Imperdoáveis, sua oferenda
Lágrimas, alma e sangue
Pois eles chegarão, e saberá

Os intoleráveis, não se arrependa
O sacrifício chega, obstante

Pois aqui estão, e nada sobrará

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

   Ontem a noite, ela veio até mim. Tentei futilmente me livrar de seus desencantos, mas em vão, como sempre. Ontem a noite pude sentí-la como nunca, seus olhos me fitando, seu sussurro como o vento que entra pela janela e balança as cortinas. A solidão, a podridão, o asco, o veneno, ontem a noite eu tive tudo.
   A sós na cama, o tempo passava, como os passos num compasso de piano, crescendo, crescente, diminuto. Minhas mãos caminhavam por entre suas formas, mínima, semínima, colcheia. A tentação, a vontade, os beijos, cedi totalmente, me entreguei. Semicolcheia sem pausa. Ontem a noite, sequer vi o tempo passar, as horas viravam dias, os dias a madrugada, céu adentro, noite aberta, gritos, ouvidos, gemidos, ontem a noite...
   Quantas horas são? Já nem quis saber, sem forças para levantar, o corpo suado, o calor dos corpos, o furor despido, ontem a noite o céu foi ficando claro. Será que dormi? Por entre seus beijos e carícias, palavras pausas e silêncios e tantos arrependimentos. Ontem a noite, já estava clareando, mas o rítimo permanecia, eu a jogava, era jogado, virávamos na cama, com juras de amor eterno ao ódio, pragras e desgraças, e um olhar sutil na pebumbra do quarto, o reflexo no espelho. Ela foi, mas queria voltar, ela foi mas continuou a me atormentar, ontem a noite já era hoje de dia e nossos olhos ainda se encontravam.

   Eu queria sair, queria correr, queria gritar. Queria riscar o chão com nossos corpos, deixar marcas até nos ossos, com o sangue fervendo, o coração palpitando, o rítimo acelerado e o tempo, tempo impecável, quatro por quatro, três por quatro, caralho a quatro. Queria ser a sirene na rua, o maluco que grita, o maldito bebum apagado na esquina com meia garrafa. Ontem a noite, não sei se foi mais uma ou menos uma, eu só queria dormir. Ontem a noite, já era quase dia, ela me deixou, sem falar, sem fitar, sem mais ficar, da mesma forma que ela chegou, misteriosa, silenciosa, depravada. Ontem a noite eu tive insônia.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Banal



Aquele gole
Aquele flerte
Aquele beijo
A tragada do cigarro mortal
É o que tira sua vida do banal

sexta-feira, 10 de março de 2017

A Noite de Tédio



A noite de tédio
O céu, as estrelas
Do calor o assédio
E a cabeça nas nuvens
De olho no amanhã
Com a boca seca
Os olhos tristes
Sem pensamentos
Ou ideias
Sem o que fazer
Põe-se a cantar
Sem nada por cima
Não, nada
Nem sequer uma rima...

segunda-feira, 6 de março de 2017

Engasgado



Olhos fechados
O silêncio
Corrói
Carrega o fardo
Carrega em si
O faminto
O frêmito
Na cabeça se repete
Eternas canções
Vozes
De tudo que devia ter dito
Mas morreu em silêncio
Engasgado

Mosca

Diário do Dr. Fleubermann Paciente nº 003764 Curioso e peculiar o caso deste paciente em específico. Ainda me lembro bem da primeir...