sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Ilusão



Doce árduo desejo de seu beijo
A luz da lua torna-o insaciável
Seus olhos, seu rosto, seu corpo...
E talvez o desejo incansável
No mar, nas incontáveis ondas
Nas sombras e reflexos noturnos
A imagem de seus olhos
Suas mãos quentes ao toque
O perfume de uma flor
Bela, delicada e com espinhos
Cria-se lembranças na pele
E faz sangrar
Aos agrados do sol ou do luar
É tenra
Inesquecível
Vale por mil palavras talvez
Só não vale pelo beijo
Que me deu uma vez

sábado, 3 de dezembro de 2016

Velas no escuro



A luz de velas
Num quarto escuro
Com papel e tinta
E a fumaça do charuto
Na taça o vinho
Escrevendo uma canção
Descrevendo o sussurro
Desnudando a palavra
E sua pele aos toques
O calor do não dito
No silêncio os gemidos
Corpos enaltecem
E as palavras não esquecem
Do calor se despindo
Na porta, a janela aberta
Nada além do lírico
E um quarto vazio
Iluminado por velas
E meu eu em delírio

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O olhar



Olhos que lhe olham
Serrados e fechados
Na calada da noite
Olhos que lhe gozam

No escuro do quarto
Na cama sozinho
Rubro sangue escorre
Na paranoia, é farto

E quando deitar
As vozes e expressões
Chamado inominável
É treva e é mar

Nos olhos que lhe olham
Por detrás da nuca
E sempre lhe juram

Feche os olhos na calada sozinho
Feche e volte a dormir...

Mosca

Diário do Dr. Fleubermann Paciente nº 003764 Curioso e peculiar o caso deste paciente em específico. Ainda me lembro bem da primeir...