sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Tudo e Nada

Hoje é o dia
Todos os dias
Hoje não é dia,
Nunca é.

Hoje e nunca
Amanha talvez
Tudo se repita
E morre outra vez

Hoje é o dia
Você será minha
Sempre foi
Sempre e nunca

E hoje mais uma vez
Para que amanhã quem sabe
Exista apenas um talvez...

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O Senhor da Loucura

Em um tempo longe do tempo
Outrora nas terras mais distantes
Trajando manto ou talvez mempo
Via-se o Senhor e seus semblantes

A passos largos sempre caminhava
E a terra chorava diante de seu pé
O nome por todo canto se cantava
A fazer homens perderem sua fé

Seu sangue declarou a guerra santa
Santos pecadores guerreiros a se matar
O rouco timbre de sua voz que canta
Derrama seu sangue faz a terra gritar

E sua loucura tornava os ecos distantes
Sua voz, melodia e caprichos errantes

E ria o Senhor da Loucura em sua deixa
-e sua voz já não sai mais de sua cabeça-

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Traio e Distraio

Eu me traio e me distraio
Com silêncios relevantes
E nas palavras ociosas
Ditas a meros semblantes

Eu me traio quando calo
E escrevo o que não falo
Nos pensamentos fica o calo
A palavra não é o falo

E quando caio me distraio
Pro inferno com esse raio
Ou caio porque distraio?
Que seja o arco ou o raio

E sem bordões relevantes
Apenas me traio e distraio

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Em silêncio

Era um começo de tarde como outro qualquer, como um sábado qualquer, eu voltava da faculdade, caminhando passos rápidos e displicentes, ora olhando um pouco o movimento, mas sempre com mais atenção na música que ouvia nos fones de meu celular. Foi quando, aproximando de casa eu a vi, meio que de soslaio, a quase um quarteirão de distância, caminhando em minha direção. Óbvio que não desviei meu caminho, tão pouco esperei por ela, apenas segui em frente, ignorando totalmente sua existência, como se tivesse visto mais uma pessoa desconhecida caminhando pela rua e, em pouco tempo, já até havia esquecido com quem me deparara há alguns instantes. Mas o que realmente foi intrigante e interessante ocorreu no decorrer daquele sábado parado, calado, distante e ouso dizer até inseguro...
Por volta das quatro da tarde, eis que meu telefone toca, quando olhara pude perceber que a pessoa havia escondido o número, pensei que fosse o mesmo número que me ligara na noite passada e que não disse nada. Atendi,  sempre otimista pensando na possibilidade de ser um novo trabalho mas em vão, novamente a pessoa ficara em silêncio desligando depois de alguns instantes. Alguns poucos minutos depois,  chega uma mensagem de texto dizendo: “finge que nem me conhece, estava com saudades de te ver” Não demorou mais do que um minuto para ligar a ligação, a mensagem e o ocorrido da manhã, logo respondi a mensagem com afinco e depois de uma breve conversa combinamos de nos encontrar.
Era noite, por volta de 19h, a hora se aproximava, turbilhões de pensamentos me estonteavam, deles os mais presentes talvez seria de alguns drinks e quem sabe nossos lábios tocando-se em uma dança frenética e majestosa de beijos e palavras de afeto trocadas. Arrumei-me e em pouco tempo estava em sua casa, fui convidado para entrar, ela estava sozinha.
Devo admitir, estava tão bela como sempre foi. Sua pele alva, macia, sedutora e chamativa, seu cheiro doce, insaciável, penetrante e convidativo, criando desejo a cada respiração, tornando-a ofegante e delirante. E seus cabelos... Vermelhos, intensos, mais até do que me lembrava, realçava ainda mais sua pele branca, estava deslumbrante em vestes negras bem detalhadas e delineadas sob medida em seu corpo. Em pouco tempo de conversa e minhas expectativas sobre a noite já se realizavam, alguns drinks e nossos lábios saudando-se em uma dança de paixão esquecida, mas não apagada.
Alguns instantes depois sua linda pele branca revelou-se não sendo nada além de uma casca oca, alterando entre partes vazias e podres, seu perfume que antes dominava todo o quarto foi um breve momento para esconder o cheiro fétido de sua podridão por dentro exaltando-se para fora pela boca, nariz e olhos, vísceras dilaceradas apodrecidas, inconstantes, clamando por carne nova para sugar seu sangue e esconder o que há e pior em si, camuflando sua verdadeira natureza insípida.
Em um movimento rápido e sutil, minha mão fora instintivamente em seu rosto, percorrendo seu pescoço até sua garganta, e lá permanecera apertando com toda força que meu ódio e repulsa puderam me proporcionar. Em poucos instantes seu rosto ficou ainda mais pálido, sem reação, sem palavras, sem saber o que fazer diante daquilo tudo.
Olhando em seus olhos, pude me lembrar de cada palavra dita, de cada instante de dor e agonia que passei, de cada segundo que esperei em agonia por uma resposta, de quando me abri expondo todas as minhas férias e ela me esfaqueou, machucando-me ainda mais. Lembrei-me das falsas palavras, das falsas promessas, do que ela era, o que havia se tornado, uma mutação macabra e horrenda, não merecida por ninguém, sequer alguém como ela. Lembrei-me principalmente de seu silêncio, sua indiferente falta de respostas apenas olhando, admirando-me enquanto me arrastava no chão por sua causa.
-Você acha mesmo que iria voltar como um cachorro atrás do dono? – Eu dizia enquanto apertava seu pescoço cada vez mais forte.
-Você me teve totalmente, por mais tarde que tenha sido eu me entreguei totalmente, mesmo que tenha sido por um medo ridiculamente tosco de ficar sozinho... Talvez isso pudesse despertar algo maior, e o que você fez? Preferiu pisar em mim e me desprezar, na única oportunidade que tive que realmente tivemos de que eu pudesse verdadeiramente me abrir e me entregar totalmente a você, e o que você fez? Preferiu me iludir... E agora acha que eu iria ignorar tudo e voltar como um cãozinho faminto atrás de comida, esquecendo e perdoando tudo que aconteceu no passado? Acha que não me lembro de cada palavra, e pior, cada silêncio indiferente que fui tratado?
E em poucos instantes seu rosto fora se tornando ainda mais pálido, algo saia de sua boca e misturava-se com seus cabelos, tornando-os ainda mais vermelhos, criando uma dança de cores e densidades inconfundíveis, e aos poucos percebia seu corpo tentando lutar contra minha força e quanto mais ela se debatia, mais eu me lembrava de como me debatia, e maior era a raiva que sentia, até que, aos poucos, começou a se acalmar, entrando em um estado de sonolência, toda a dor logo se entorpecera, seu corpo já estava praticamente parado, não havia mais forças para lutar ou sequer manter os olhos abertos.
De sua boca entreaberta saiam grunhidos embolados e inaudíveis, sequer dei atenção ao que poderia ser, suas palavras venenosas não mais me ludibriariam. Em pouco tempo suas tentativas de sair ou de falar o que quer que seja sessaram-se, fiquei admirando seus olhos, suas pupilas dilatadas, quase sem reação, a pulsão de seu corpo esvaindo-se, em breve tudo terminaria. Pensei em tudo que aconteceu, a forma que tudo se tornara, o final amargo, não existiria alternativa.
Abaixei-me bem próximo de sua boca, nossos lábios quase se tocaram pela última vez, mas não haveria última vez. Na reminiscência de minha raiva, aproximei-me de seus ouvidos, para que ela pudesse ouvir minhas últimas palavras.  Soltei seu pescoço, ela se mostrou aliviada, mas não tinha forças para sequer gritar ou se levantar. Disse-lhe ao pé do ouvido
-Ainda doí quando digo que te amo? Pois eu te amo, tanto que doí, te amo tanto, até a morte.
Minhas mãos caminharam novamente em seu rosto até seu pescoço, onde apertei com todas as minhas forças, até não ter mais forças. Ela simplesmente não reagiu, deixou toda sua velha conhecida displicência tomar controle da situação, este era seu destino, sua própria cova cavada, sua sina com meu nome. Quanto terminei, já não conseguia mais sentir minhas mãos, meus dedos pareciam ter ficado cravados em seu pescoço, meu corpo tremia, tive vontade de gritar, ressuscita-la apenas para mata-la novamente. Poético.
Antes de sair do quarto, olhei novamente para seu corpo, não sabia se ainda vivia ou não, não pensei em nenhuma possibilidade, apenas fitei-a e disse:

-Eu nunca lhe amei.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Devaneios

Pequenos devaneios passam por aqui
Palavras tolas sem sentido
Sentimentos, sentido, cru, despido
Crescendo em ritmo acelerado e desinibido

Como por hora celebrando uma canção
Palavras cheias e vazias, profanadas
Ditas com os olhos, mãos e coração
E por ventos e vinhos embaladas

Embriagadas por todos meus anseios
Não mais, são apenas meros devaneios

segunda-feira, 1 de julho de 2013

(in)Direta

Você disse, (re)disse
Gritou, falou e até revirou
Depois apenas se calou
E calada permaneceu...
Nesse silêncio displicente
De rotinas incoerentes
Mas meu bem, tenho algo a dizer
Aquela indireta não foi para você

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Um Brinde!

Um brinde!
A nossas doses de suicídio,
Bebidas a prestação.
Um brinde aos nossos anseios
E também aos devaneios.

A fumaça doce na boca,
Ao ar que seca a garganta,
A palavras vazias.
De nada adianta.

Ao cheiro em minhas mãos
E seu cheiro em minha cabeça.
As vitorias vazias,
Derrotas acompanhadas
E as pequenas mortes.

Mas antes que eu me esqueça...
Um brinde!
Para todas essas ideias
Que não saem de minha cabeça.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Indireta

Meu bem, esta poesia é para você!
Que por seu amor me fez perecer,
Que deixou seu cheiro e foi embora,
Que me fez te amar fora da hora.

Que brincava com palavras na noite fria,
E dizia para eu nunca te deixar sozinha.
Quando falava que nunca me procuraria
E quebrava promessas no outro dia...

Afinal quanto tempo tem desta vez?
Sete dias, três semanas, mais de mês...
Será que me dou o luxo de fazer plano
Já que em poucos dias faz um ano?

Meu bem, aceite, pois é de coração.
Vivo e vermelho como aquela paixão!
Não ligue se me trouxe pequenas mortes
Pois sempre volto ainda com mais sorte.

Sem mais, aceite sim, esta poesia...
Não deixe que ela morra em sua ironia
Ou que eu fique amargurado e pasmo
Temperando tudo com meu sarcasmo.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Bem no Fim

Meu bem desejo-lhe tardes chuvosas
Noites quentes e frias a sua escolha
Muitos amores – menção honrosa –
Que possa voar livre como uma folha

Mas não morra sem árvore a lhe nutrir
Ainda existem muitos dias ensolarados
Além de tantas lembranças a nos unir
E todas as tardes como enamorados

Meu bem desejo-lhe sempre um copo cheio
Cheio de brindes, drinks e lembranças
Não há nada que não justifique o meio
Mas hei de preocupar, não perca a esperança

Meu bem desejo-lhe mil noites de amor
Mesmo que comece agora, seja como for

E se não quiser então que seja assim
Mil noites de insônia pensando em mim

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Voando/Caindo

Sem chão para me apoiar
Não sei se estou a cair
Ou se estou a voar
E o coração querendo sair

No que me tornei afinal?
Anos não são dias perdidos
E quem ficará no final?
Ou tudo ficará partido

As belas cores crepusculares
Estou voando até você
E minhas palavras seculares
Deixo-me a sua mercê

Estou caindo no esquecimento
O limbo das lembranças perdidas
O quanto durará tal lamento?
Escrevendo em duas almas distintas

sábado, 25 de maio de 2013

Apenas uma tarde qualquer



Talvez tudo sempre esteve certo...
Como os pássaros voando numa tarde de outono,
Como o vento que assopra frio na face.

Vejo rostos na lama simétrica,
Vejo máscaras, vejo a nós...

Talvez tudo já estava certo desde a partida.
Como um pássaro tentando alcançar seu bando
Separa-se e no final volta ao seu lugar.
Como a face vermelha numa tarde de outono.

Talvez tudo sempre esteve certo...
Como um laço, nunca desfeito em pensamentos,
Como os pássaros que voam, como um sorriso
Em uma tarde de outono qualquer...

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Meras Palavras



Palavras mentem a todo tempo
Expelidas de bocas envenenadas
Escorrendo em um fogo lento
Tarda preso em almas exaltadas

Palavras por si só de nada valem
Mentiras irrisórias e ilusões
Amor e ódio à mesma boca dizem
Apenas sentimentos sem pulsões

Sou poeta que não gosta de palavras
Não, palavras vadias e vazias
Que nada dizem e se vão tardias

Das palavras eu prefiro as ações
Demonstrar vale por se provar
Prefiro as palavras que podem falar

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Sofia e Joana



Sofia era uma garota simples, de gostos simples. Morava no 1º andar de um pequeno prédio de 2 andares. Estudava o dia todo, e passava a noite em casa. Quando era mais nova sempre gostava de passar as tardes ensolaradas na casa da “tia” Joana, a senhora que morava no apartamento de cima, o tempo foi passando e ela deixou de ir lá, mas não deixou de ter apreço pela simpática senhora.
Apesar de gostar muito, a velha era um pouco assustadora, principalmente a noite, fazia muitos barulhos de passos no quarto de cima do de Sofia, e também o barulho daquela cama de molas que deveria ser mais velha que a senhora, seu barulho causava arrepios na pequena garota, mas ela sempre se lembrava da simpática velhinha que estava lá e tudo passava.
Durante alguns dias do último mês Sofia notara que a casa de Joana estava mais silenciosa, mas nada muito relevante para ninguém. Os dias foram passando e as pessoas foram esquecendo... Em frente ao apartamento de Sofia existe uma fábrica, dela sai um cheiro muito ruim quase todos os dias, mas recentemente esse cheiro tem ficado cada vez pior, até que um dia alguém foi examinar.
Determinaram que o cheiro não viera da fábrica e sim do prédio, do apartamento de Joana, a coitada já estava morta havia mais de 20 dias e ninguém notara. Médicos disseram que ela simplesmente morreu dormindo, não sofreu dor alguma, sequer deve ter descoberto ainda que já morreu, eles brincavam.  Sofia foi ao funeral de sua velha amiga, lembrou-se das tardes, dos biscoitos, das anedotas e lições de vida, chorou muito, foi um dia triste.
A noite, Sofia já exausta, foi dormir e logo que deitou apagou, acordara no meio da noite ouvindo barulhos estranhos. Ouvia passos e se lembrara da senhora que viveu lá por muito tempo, que não tinha filhos ou parentes, “morreu dormindo, talvez nem saiba que esteja morta”. A velha cama de molas fez o conhecido barulho que lhe causava arrepios, e Sofia se lembrou de sua velha amiga que agora estava enterrada.

terça-feira, 23 de abril de 2013

O sonho de Jeremy


Jeremy mal conseguia abrir seus olhos, e quando o fazia não conseguia identificar se estavam ou não abertos, já que o quarto estava totalmente escuro. Os zumbidos em sua cabeça eram insuportáveis, era como se seus próprios pensamentos saíssem de sua cabeça como um tiro vindo de dentro de seu cérebro. Sentia um grande desconforto nos braços e nas pernas, tentou mover-se, mas foi em vão, pois percebera que estavam atados. Aos poucos os zumbidos foram se silenciando e abrindo espaço em sua mente para se perguntar o que estaria acontecendo. Não sabia onde estava, porque ou quem o havia amarrado, seus olhos doíam, seu corpo também, sentia seus pulsos queimando a medida que tentava se livrar da corda e suas pernas estavam totalmente dormentes, sinal de que estava nesta posição há várias horas.

Com muito esforço conseguira se livrar das cordas em seus pulsos, desamarrar suas pernas foi fácil, mas Jeremy ainda não sabia onde estava e imaginava perplexo o que poderia ter acontecido e causado a amnesia, já que não se lembrava de absolutamente nada. Aos poucos seus olhos foram se acostumando com a escuridão e podia identificar algumas silhuetas e sombras, deduziu que estava em um quarto e, enquanto tateava, viu uma pequena fresta de luz, era a porta, sua saída deste lugar. Jeremy caminhava com dificuldade, já que suas pernas ainda estavam dormentes, estava descalço e já podia sentir um pouco do frio do chão, depois de algum tempo chegou até a porta, tocando na maçaneta enquanto torcia para que não estivesse trancada.

A sorte de Jeremy começara a mudar quando viu que a porta se abriu, ou pelo menos foi o que ele pensou. Ao abrir a porta deparou-se com um corredor estreito, onde mal podia enxergar as paredes. Ouvia o barulho de água escorrendo e ocasionalmente ruídos e gritos distantes. Ao andar Jeremy percebeu que havia algo no chão além da água fria que gelava seus pés, um pequeno incômodo logo se tornou uma dor atenuante, quase insuportável, como se o chão estivesse coberto de cacos de vidro e a água, numa temperatura bem próxima de zero tornava sua dor ainda mais angustiante. Jeremy tentava andar, mais a água gelada adormecera seus pés e enquanto tentava ouvia vozes... Seja lá quem o havia pegado estava voltando e rápido. Em um impulso de sobrevivência, Jeremy tentou correr, mas suas pernas estavam cansadas e doloridas, mal conseguia sair do lugar e quanto mais tentava pior ficava, tentava desesperadamente se agarrar em algo nas paredes, mas não encontrava nada além de lodo e água gelada, unhava as paredes desesperadamente até suas unhas se quebrarem e seus dedos se ferirem, seus pés não conseguiam mais se mover, havia perdido o controle enquanto ouvia seus captores cada vez mais perto. De súbito, Jeremy pisa em algo que com muita dificuldade consegue diferir dos cacos em seus pés, ele sente uma leve corrente na água, mas antes de tentar qualquer coisa cai no chão e é arrastado pelo deslize do solo. A cada segundo que passa Jeremy sente pontas de pedras dilacerando seu corpo, tenta se segurar nas paredes em vão, pois a pedra é lisa e polida impossível de se agarrar, imaginando que em breve cairia em algum lugar, Jeremy tenta se agarrar ou diminuir a velocidade da descida, até que de repente para sentindo um forte repuxo em sua mão.  Para sua sorte, encontrara um gancho, para seu azar, este estava atravessando sua mão direita. O silêncio durou apenas alguns segundos e foi substituído por um grito abafado, ao mesmo tempo em que Jeremy percebera que não havia mais chão, abaixo de seus pés existia uma queda livre para a escuridão e antes mesmo de pensar no que fazer o gancho em sua mão que estava preso em algum lugar cedeu com seu peso jogando-o para o abismo negro.

Jeremy despertou em sua cama, eram quatro horas da manhã, estava suado, ofegante, nunca em toda sua vida tivera um sonho tão intenso e real assim e seu corpo estava todo dolorido, em um estado febril. Não conseguindo fazer ou pensar em mais nada, sentou-se na cama, e ao esfregar seu rosto com as mãos para acordar, percebera que havia uma estranha ferida que atravessava sua mão direita...

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Tempo ao Tempo


O tempo que tudo sara
A dor e também a ferida
Tempo que não para
Para a realidade partida

O tempo que tudo resolve
As angústias e problemas
O tempo que dissolve
A vida e seus dilemas

Um tempo para o tempo
Que não para de envelhecer

Dê tempo ao tempo, dizem
O tempo que tudo enaltece
Dê seu tempo mesmo que lhe pisem
Enquanto você apenas envelhece...

domingo, 31 de março de 2013

Insônia



Eu queria ver as coisas de outra maneira
Quando abrisse os olhos continuar a voar
Ter em minhas mãos a resposta derradeira
Além de palavras que servem para atordoar

Eu queria fechar os olhos e apenas dormir
Sonhar dormindo ao invés de acordado
Queria abrir minhas mãos e me permitir
O sonho é apenas algo para ser recordado

Queria correr, fugir de todos os padrões
Acreditar no que ninguém no mundo acredita
Poder sentir no peito o calor de mil corações
E seguir em frente, nada me implica

Eu queria a paz que inexiste na razão
Fechar os olhos, dormir para recordar
Sem me preocupar se existe algum chão
Apenas queria dormir e não mais acordar

Mosca

Diário do Dr. Fleubermann Paciente nº 003764 Curioso e peculiar o caso deste paciente em específico. Ainda me lembro bem da primeir...